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Falar de futuro é um tema que muito me estimula, afinal, faço isso profissionalmente. Uma das tendências mais relevantes para o mobiliário, neste momento, e que norteia o período 2016 a 2020 é a tecnologia - que está redefinindo o modo de projetar, de desenvolver e de comercializar móveis.

A tecnologia também modificou comportamentos. Utilizada na totalidade pelos millenials permitiu formar uma geração de críticos do consumo e experts na compreensão do complexo mundo atual, mais do que nós, da geração anterior.

Eles são os guias do novo mercado, sensível, socialmente e ambientalmente - além de hipertecnológico e digital - e muito interessados no bem-estar das pessoas e nas relações sociais que constroem. É para eles que os moveleiros devem olhar atentamente, já que vem dessa geração os quatro atributos-chave de produto que irão nortear o design e o consumo nos próximos anos:


Customização:

permitir ao usuário intervir, indicar preferências, criar soluções personalizadas e perfeitas às exigências dele


Relevância:

atender às necessidades do momento de forma relevante e precisa. Adaptar-se ao contexto pessoal do usuário sem necessidade de intervenção direta dele.


Humanização:

apresentar-se de forma amigável, compreensível e acessível, considerando o usuário como ser humano, e não como target (aliás é bom rever o que você pensa que seja target em tempos de lifestyle!)


Velocidade:

produto ou serviço utilizável de forma rápida ou mesmo instantânea.

As mudanças também afetam os modelos de produção sugerindo uma nova forma de fazer negócios. As empresas deverão evoluir internamente, revendo sua organização produtiva e repensando modos de funcionamento ainda um pouco arcaicos. Com essa reorganização estratégica pode ser que surja uma empresa de cunho capitalista social e ecossistêmica. Esta é a empresa do futuro!

Desejo pela essencialidade


O retorno da essencialidade trata de uma recusa ao excesso, considerado um elemento de distúrbio, e uma busca pela simplicidade das formas. Contudo, não se trata de um novo mimimalismo, pois sua austeridade formal aparece como uma penitência a mais, de gosto amargo e masoquista, pois está muito vinculada psicologicamente aos tempos de “vacas gordas” que não são mais possíveis [especialmente na realidade europeia].

E neste panorama comportamental, a subtração, a limpeza, o aspecto clean dos interiores das casas torna-se fonte de infelicidade. Em resumo: queremos calor, cor, formas preciosas e muito afeto, o que a IKEA entendeu muito bem e vem aplicando em seu portfólio - e na sua comunicação - há muito tempo, como vimos recentemente no blog.

O que o design ganha com isso?


Tudo. É o momento vencedor para a personalização, a combinação e a contaminação. Porque estes conceitos, quando aplicados ao Design, aquecem nossas almas, e nos fazem sentir talvez um pouco menos perfeitos, mas mais felizes, menos sozinhos.

A casa como um troféu para exibir e então uma espécie de carimbo social de que você deu certo na vida não tem mais nenhum valor nestes tempos. A verdadeira opulência e riqueza não vem mais do móvel de grife, mas, sim, da própria expressão pessoal que cumpre.

Porque ter gosto significa possuir regras de bom gosto e não coisas, bens ou objetos. Então o découpage, o trompe-l’oeil, a natureza, os objetos de coleção e com histórias antigas para contar começam a emergir depois de décadas de ostracismo. Voltamos a querer preservar a pátina do tempo porque a verdadeira riqueza é o fascínio da nossa idade e a história da nossa vida familiar.

Design e tradição

Para 2016 a nova tendência aponta a revisitar as origens do design transformando-o com novas formas e funções.

Aqui continuaremos com a busca das tradições e das raízes para enfrentar este presente caótico. Beber da fonte de recordações nos distingue da massa e se torna uma nova espécie de marca pessoal. Isso se concretiza no mundo com o aumento da pesquisa e aplicação de elementos de antiquários - novas lojas de mobiliário vintage aqui em Milão surgem a cada mês.

Nas formas, veremos volumes “esvaziados”, justamente para dar o sentido ao conceito de essencialidade e aliviados com contornos de linhas simples, enquanto as superfícies vêm tratadas com texturas geométricas para conferir um maior caráter.

Assim, começam a invadir os ambientes as tonalidades de verde, cinza claro, turquesa e suas declinações, rosa, marrons e o novo amarelo.

Quanto aos materiais, as apostas são os de origens naturais e tradicionais como lã, couro, madeira, bambu, incluindo a aplicação de trabalho manual mesmo que seja só em detalhes. Um design atento à tradição, aos usos e costumes e à medida natural do homem.

Um mobiliário pessoal
e atemporal

As tendências no mobiliário seguem ciclos: além das tendências passageiras da Moda que duram cerca de dois a três anos, temos o período de cinco a sete anos que leva a mudanças no mobiliário, justamente maior porque engloba maquinários e novos desenvolvimentos de matérias-primas que requerem muito mais tecnologia do que na moda. É o relógio biológico do setor, digamos.

Assim, não se pode afirmar que existe um estilo geral para 2016, vista a vastidão deste mundo e à quantidade imensurável de lifestyles. Então apresento, apenas características e fontes de inspiração.

Materialidade


Os players do setor estão interessados em conferir materialidade e cores da Natureza a tudo aquilo que estava meio triste, sem identidade.

A madeira vem mais respeitada com seus veios e sem acabamento especial, misturada com cores vivas, como a do momento, que é a turquesa azul petróleo, criando não apenas um belo movimento mas uma boa sensação de exclusividade. Até os metais retornam, de forma delicada, e sempre combinados com o cobre…

Tudo aquilo que traz cor e desenhos ao ambiente é bem-vindo. Acessórios estão em alta, como almofadas, tapetes pequenos, objetos de cerâmica, porta-revistas e livros, e um mix com quadros de molduras diversas num estilo que reflete o gosto pessoal do morador.

Design que
potencializa relações


O design se adapta às mudanças de nosso modo de viver e acaba por se relacionar conosco. Dentro do chamado Design Relacional destaco cinco funções:






1. Um banheiro living


Esta tendência foi vista na CERSAIE 2015. Essa área da casa que permaneceu esquecida, volta com força e presença. Além da centralidade, o banheiro representa bem-estar e virou living com direito à inclusão da cromoterapia. Exemplos disso são as marcas, BISAZZA - com a coleção Tulips Grey criada por Marcel Wanders e ANTONIOLUPI com SUITE.

2. Uma casa de vidro


As casas podem estar cada vez menores, mas as aberturas seguem cada vez maiores: queremos ver o mundo lá fora! As paredes “falsas” ou painéis de correr estão em alta na arquitetura de interiores e o vidro ganha grande destaque. O mobiliário segue a tendência da “casa de vidro”com modelos como a KRISTAL da MOLTENI&C e a ALAMBRA desenvolvida por Giuseppe Bavuso para RIMADESIO. Se a casa é para ser vista, os objetos nela também e, então, o conceito de exposição de objetos revisita a cristaleira da vovó que volta a ser supercontemporânea.

3. A luz que se transforma


A luz atual estabelece uma verdadeira relação com o usuário: aqueles lustres ou spots colocados no teto e que lá ficam imóveis por toda uma vida não tem mais nenhuma razão de ser em uma casa. A inovação e a massificação da tecnologia LED deu aos designers a possibilidade de trabalhar a luz plasticamente e vimos, não apenas na Euroluce, mas em todas as feiras europeias desse segmento, grandes apostas que tratam de luminárias como obras de arte. Isso, em razão do impacto formal, materiais e processos envolvidos.
Destaco DAWN da KUNDALINI e LUNAOP da MARTINELLI LUCE

4. Tocar para sentir


O design está mais sensorial do que nunca. Tocar, sentir a rugosidade, se é quente, se é frio…a superfície se comunica conosco e até troca impressões. A materialidade pode ser opulenta e aristocrática, mas, sempre, democrática. Exemplo disso é a mesa ASCANIO da VISIONNAIRE. O tampo de mármore parece um desenho e pernas esculpidas em relevo, ideia de PORRO e seus designers que tiveram o prazer de criar essa estrutura utilizando 16 espécies diversas de madeira, e que foram mostradas no mítico showroom de Via Durini aqui em Milão.

5. Cozinhas fluidas


Faz um tempo que as cozinhas falam com os livings, mas já estamos em outro nível agora. Basta olhar para a OLTRE, da LUBE, que integrou o living no bloco angular da cozinha, enriquecendo a materialidade da madeira de rovere envelhecido. A MOTUS, da SCAVOLINI, já há algum tempo apresenta seu sistema híbrido misturando os dois modos de entender um projeto para esse ambiente. A grade, parte da composição atual deste ambiente, é dos anos 50, acreditem. Hora de mudar, não acham? Eles inseriram elementos livres que mudam de posição no tempo e retomaram, do ponto de vista de estilo, a eliminação dos puxadores, como tínhamos lá nos anos 1970. O eterno retorno das coisas, mas melhor.

Novas necessidades e hábitos de vida completamente diferentes, além da diminuição da disponibilidade dos espaços urbanos. Estas realidades já estão causando verdadeiras revoluções no modo de vida das pessoas. O morar como se conhece vai se alterando, assim como a letra de Lulu Santos e Nelson Motta, inspiração para o título desta matéria – e com velocidade cada vez maior. A previsão de empresas como a multinacional Panasonic, por exemplo, é de que em 2020 até mesmo camas e espelhos ganharão funções especiais no monitoramento da saúde dos moradores. Quer saber o que mais vem por aí?

Uma casa inteligente

No vídeo ‘A Vida em 2020’, a Panasonic, mais conhecida pela sua produção de eletroeletrônicos, mostra transformações em casa que são consequência da tecnologia e da mudança do modo de vida das pessoas – ou que resultam em tudo isso, com o objetivo de trazer mais praticidade. Controle automático de luz e temperatura ambiente talvez sejam as funções mais básicas da casa de 2020.

Essa interação também é objeto de estudo do arquiteto e designer Guto Requena. Enquanto pesquisador do Centro de Estudos de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo, o NOMADS.USP em meados dos anos 2000, ele obteve seu mestrado com a dissertação Habitar Híbrido: Interatividade e Experiência da Era da Cibercultura. Em seus estudos, procurou “mapear novas possibilidades de habitar neste conceito”, e colocou a década de 1980, no Brasil, como o momento de confirmação da popularização de novas mídias e do surgimento de equipamentos eletrônicos que modificaram a interação com os membros da família e deles com o espaço nas residências.

Para Requena, “a tecnologia nos coloca em posições inéditas na cidade, gerando novos desafios aos designers e arquitetos”, reconheceu em um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, onde é colunista, em agosto de 2015. Esses desafios vêm sendo enfrentados pelos profissionais e empresas, especialmente, na capital paulista. Construtoras como a Maxhaus, por exemplo, trazem em seus empreendimentos inovações tecnológicas embutidas, tudo isso pensando em um público exigente e bem informado a respeito das tendências mundiais de morar.

E propõe soluções como o AutoHaus®, um sistema de automação residencial que permite o controle de luz, interruptores e música a partir do smartphone ou tablet. “Entendemos que há um anseio pela customização dos apartamentos deixando-os com a sua cara e seu modo de vida”, explica o superintendente da empresa, Luiz Henrique Vasconcelos. “E as novas tecnologias fazem também fazem parte deste anseio. Nos últimos tempos, mudamos bastante a forma como nos comunicamos, ouvimos música, nos relacionamos, estudamos; e não podíamos mais projetar apartamentos como nos tempos de nossos avós”, salienta.

Cada vez menor

É a lei da oferta e da procura: com menos espaço para construir, o metro quadrado fica mais caro e as casas diminuem. Hoje já é possível encontrar apartamentos de 19 m² na cidade de São Paulo. As soluções? Dentro de casa é preciso pensar nos móveis funcionais, que se transformam conforme o uso e a necessidade. “São peças que necessitam de mais planejamento e design aplicado, enfim, trabalhos bem específicos”, orienta a responsável pelo marketing da Bigfer/Hettich, fabricante de ferragens, Danielle Santos.

O uso de cores mais claras, como se vê no projeto da Yo! Home, na galeria, é tendência fundamental para este tipo de ambiente menor, segundo Simone Cotoski, coordenadora de produtos da fabricante de painéis Arauco. “Cores escuras diminuem ainda mais o ambiente”, contribui.

O uso de cores mais claras, como se vê no projeto da Yo! Home, na galeria, é tendência fundamental para este tipo de ambiente menor, segundo Simone Cotoski, coordenadora de produtos da fabricante de painéis Arauco. “Cores escuras diminuem ainda mais o ambiente”, contribui.

No Brasil, vem se observando o uso de plantas flexíveis ou mesmo abertas. “Isso evita ter os problemas de projetos convencionais: muitos cômodos com divisões pequenas, e permite melhor aproveitamento do espaço interno conforme a necessidade do consumidor”, registra Vasconcelos, da Maxhaus. As unidades residenciais menores abrem espaço para mais uma tendência que segue aumentando já há algum tempo: o compartilhamento de espaços – principalmente os que antes eram exclusivamente privados, como as lavanderias.

Com mais soluções de design

Ele é um grande aliado para todas essas transformações, lembra o CEO da Summit Promo e idealizador da High Design Expo, Lauro Andrade. “É um fator estratégico e de diferenciação, pois produtos bem desenhados atendem melhor às necessidades da sociedade em geral”, diz. “Isso irá impactar também no uso de materiais e formatos de como o produto é pensado: formas que sejam cada vez mais harmônicas ao manuseio humano; redução no uso dos materiais e uma escolha por opções mais sintéticas e tecnológicas; objetos customizáveis e fáceis de instalar. Enfim, um design mais delicado, combinando perfeitamente funcionalidade e aparência”, completa.

O maior envolvimento das pessoas com as suas casas também é um movimento que deve aumentar e ajudar na popularização e na necessidade do desenvolvimento com aplicação do design. “Hoje, existe uma barreira entre o arquiteto/decorador e o consumidor final. Eu vejo essa barreira quebrada no futuro com uma aproximação entre estes sujeitos, e, por consequência, uma valorização e entendimento maior do design e da decoração por parte do consumidor”, sustenta Andrade.

A indústria de ferragens é um bom exemplo disso. “Nossas inovações estão intimamente ligadas à presença no processo de criação e de produção dos clientes. O processo ocorre naturalmente a partir de diagnósticos de mercado e as soluções são desenvolvidas caso a caso”, relata Danielle, da Bigfer/Hettich. “Mas o mercado brasileiro ainda está se adaptando a essas realidades, como a dos móveis multifuncionais para suprir essas tendências, que exigem certo grau de customização”, acredita.

Ela cita, entre as inovações desenvolvidas pela empresa, a linha CoFix, lançada pela marca Hettich durante a Interzum 2015, realizada na Alemanha no mês de maio. Trata-se de um sistema de plug-in inteligente que pode simplificar o transporte e a montagem de peças de mobiliário como os estofados, conhecidos por ter logística mais complicada. “Com ele, os móveis podem ser transportados ainda desmontados até o cliente, sendo facilmente montados por meio de ferragens especiais, com seus respectivos ajustes.”

E a linha de gavetas metálicas Innotech, também da marca Hettich, que apresenta uma série de organizadores internos diferenciados com acessórios que aperfeiçoam a função das gavetas. “Como o OrgaFlex, com containers embutidos que podem ser utilizados como lixeiras ou, ainda, o OrgaTemperos que além dos talheres, abriga um conjunto de portas-temperos exclusivos”, exemplifica.

escritório FGMF

A valorização do espaço interno vem também com o encasulamento apontado por Faith Popcorn, conforme destaca Lauro Andrade. “Existe um impulso de ficar dentro de casa quando o ambiente externo se torna muito difícil e ameaçador. Com isso, um número cada vez maior de pessoas está transformando suas casas em ninhos: dedicam-se mais à decoração, recebem mais os amigos, cozinham mais em casa, acabam priorizando a segurança do lar”, explica Lauro Andrade. As mudanças culturais também continuam impactando o modo como as pessoas vivem e montam suas casas.

O arquiteto Fernando Forte, do escritório FGMF, em São Paulo, cita a ascensão e queda do closet, que ganhou força com a valorização da moda na década de 1970; e os home offices, cada vez mais presentes nos projetos. “Isso leva à inclusão de escrivaninhas ou mesas de trabalho em uma área antes apenas social. Se considerarmos os casos de apartamentos diminutos, por exemplo, há diversas soluções engenhosas para o aproveitamento de espaço [para esta função de trabalho], desde painéis ocultos a grandes estantes ou elementos móveis”, revela Forte.

Revestir: vestir novamente, encobrir, envolver – são vários os sinônimos para o verbo em questão. Quando se trata de artigos de mobiliário, revestir é item fundamental para tornar o móvel atraente. É uma das etapas que mais mexem com os sentidos – a visão e o tato, essencialmente. O ato de revestir – e o de pensar em revestimentos – é um dos que mais devem estar em sintonia com as tendências. Não à toa que as novidades pululam. Uma pequena amostra está nas páginas a seguir.

gerente de produtos e design da Impress Decor, Glaucia Binda, explica que o processo de identificação de tendências para o setor moveleiro

(tendo o segmento de revestimentos como um dos protagonistas nesse processo) parte do que ela chama de “macrotendências”. Baseando-se no sociólogo Dario Caldas, Glaucia sintetiza o conceito:

“As macrotendências são grandes movimentos ou correntes socioculturais, que influenciam as sociedades, a cultura, o consumo, por períodos de tempo mais longos.”

Os desenvolvedores de produtos, qualquer que seja sua natureza e sua finalidade, devem estar atentos, às macrotendências conceituadas por Glaucia Binda. Não é diferente entre os que buscam inovação para artigos de mobiliário. É a própria gerente de design e produtos da Impress Decor quem salienta:

“Nós [que trabalhamos com criação e ideias] bebemos da mesma fonte [das macrotendências]. Enquanto o mercado de revestimentos atua com informações de outros setores, como a moda, esses outros setores o fazem da mesma maneira, observando e estudando todas as tendências que envolvem o comportamento humano, seja entre pessoas, seja com a natureza, seja com a cidade”.

Norteada, então, “pela relação direta com o modo de viver” é que a Impress Decor elege padrões para estarem em consonância com as tendências propriamente ditas, conforme se constata das palavras de Glaucia Binda. Consultada pela reportagem do Radar Móbile, a empresa apresentou alguns exemplos que considera válidos para a proposta de identificar tendências em revestimentos de mobiliário e decoração.

Um desses exemplos é a aplicação do que a Impress Decor define como “chapas cimentícias naturais” em peças de mobiliário. Um movimento que se verifica dos últimos anos para cá.

“As feiras internacionais de móveis, a partir de 2012, começaram a propor aplicações de chapas cimentícias naturais em tampos e frentes de móveis. Essas chapas são usualmente chamadas de concreto em função da aparência similar. Esse material veio ganhando força com o passar do tempo e migrou seu aspecto visual para outros materiais como a cerâmica e os silestones, por exemplo. Na sequência inspirou os laminados de alta pressão e por sua vez os painéis melamínicos”, resgata, em artigo, a designer Juliana Weiss, da equipe da Impress Decor.

Em decoração, Juliana Weiss cita ainda o cobre como metal “que vem ganhando a arquitetura e a decoração de interiores como um todo”.

No que se refere a tecidos, a Impress Decor vê “a volta do natural, do simples” como tendência. “É a volta a velhos costumes, ao jeito simples de viver a vida, nem que seja em pequenos detalhes. Essa tendência tem forte impacto no consumo e outros segmentos, fica mais forte ainda no ambiente da casa”, assinala a empresa.

“Com essa proposta”, continua, “a Impress Decor Brasil vem trabalhando algumas linhas de padrões que trazem os tecidos como protagonistas aos móveis, ao ambiente, já que este item remete muito ao trabalho mais manual, gera calor e conforto. É mais intimista.”

A presença marcante de elementos da natureza foi notada como tendência também entre os expositores da Expo Revestir deste ano – a de 2016, a 14ª edição do evento, está confirmada para os dias 1º a 4 de março próximos, em São Paulo. No evento mais recente, em pisos, por exemplo, os expositores abusaram – no bom sentido- de materiais como vinil, cerâmica, cimentício ou laminado, informa a assessoria de imprensa da feira.

Em pisos laminados, entre os destaques esteve a “rusticidade”, ilustrada pelo acabamento Calgary Oak. Segundo a Expo Revestir, a fornecedora do piso e expositora do evento, a Eucatex, recomendou a linha (constituída de 12 padrões) tanto para ambientes residenciais quanto para comerciais.

Materiais cada vez mais peculiares, alternativos, também dão o tom entre as tendências sinalizadas em revestimentos. Novamente, tendo a Expo Revestir como termômetro, na feira realizada na capital paulista neste ano chamou a atenção uma linha composta por fibras de bambu fundidas em alta pressão.

“Foram coleções apresentadas, exclusivas, em grandes formatos, e que prometem dar um ‘refresh’ em ambientes residenciais e áreas de grande tráfego”, frisa texto da assessoria de imprensa da Expo Revestir.

Presente na Expo Sicam 2015, realizada em outubro último em Pordenone, Itália, a Schattdecor comemorou os resultados de sua participação – sobretudo no que se refere à aceitação das tendências expostas pela empresa na feira voltada ao setor moveleiro. O evento contou com mais de 17 mil visitantes, de 96 países.

A Schattdecor informa ter apresentado tendências do biênio 2015/2016, com personalizações para o mercado italiano. “Foram exibidos três temas: Casual Black, Freestyle Clarity e Cultural Spirit. “Decors de nogueira em tons quentes são muito procurados e simbolizam a longevidade de um móvel herdado”, ressalta a empresa, em artigo. “A autenticidade dos materiais tem se tornado cada vez mais importante”, acrescenta.

Outra tendência observada em eventos internacionais do setor moveleiro, e em crescimento no mercado brasileiro, é a do revestimento em laca. Quem observa é o diretor da Sayerlack, Marcelo Cenacchi.

Na avaliação dele, as diversas opções de acabamento propiciadas pela laca permitem a produção de artigos de mobiliário personalizados. “São várias as opções de acabamento: fosco, brilhantes, metalizados ou texturizados”, afirma o diretor, em entrevista à Móbile.

O diretor da Sayerlack acrescenta que, além da evidência em grandes eventos estrangeiros como iSaloni, em exposições relevantes do Brasil também tem se notado o protagonismo do revestimento em laca. Foi assim em eventos como a Casa Cor São Paulo, Casa Cor Minas, Morar Mais por Menos Minas e Morar Mais por Menos Rio de Janeiro.

O mais recente lançamento da Duratex em painéis de revestimento mobiliário e para a construção civil – a Coleção Contemporânea – busca associar os padrões a aspectos da natureza. “As cores reproduzem o mármore, o granito e madeiras”, observa a empresa, em nota sobre o lançamento, ocorrido em agosto.

A Coleção Contemporânea é formada por painéis em Madeplac FF – tipo de painel de madeira revestido com película celulósica do tipo finish foil, protegida por camada de verniz. “Isso proporciona ao produto diferentes níveis de brilho ou prepara para posterior envernizamento.”

Ainda, segundo a Duratex, o Madeplac FF é indicado sobretudo para fabricação de móveis residenciais. A Coleção Contemporânea, em Madeplac FF, é constituída por oito padrões: Ravello, Carvalho Hanover, Linho, Nero, Mahal, Niagara, Mykonos e Palermo.

Meses antes da apresentação da Coleção, a empresa tinha apostado também na Expo Revestir como foro para lançar produtos em consonância com a tendência no consumo de artigos de mobiliário e decoração.

De acordo com informações divulgadas pela assessoria de comunicação da Duratex, na Expo Revestir a fornecedora de painéis lançou 28 padrões, para o biênio 2015/2016. “Foram 14 cores nas novas linhas de pisos laminados e 14 em pisos LVT (vinílicos de última geração)”, contabiliza, em nota disponível no site da companhia.

Em tempos de incertezas no cenário econômico e político nacional, escolher móveis e peças decorativas para cada cômodo da casa torna-se uma tarefa calculada e carregada de envolvimento pessoal por parte do consumidor. Os motivos vão desde menor disponibilidade de dinheiro para arriscar ou para agir por impulso, até o desejo de mostrar o estilo próprio em todos os cantinhos, dos móveis grandes, protagonistas dos ambientes, até os objetos e mimos que fazem a “química fina” de cada espaço. Dentro desse grande movimento de personalização do consumo de mobiliário, é possível identificar tendências e permanências em relação ao que o brasileiro quer para montar sua casa nos próximos anos.

Apostando no tradicional

Em um cenário de economia delicada, em que o orçamento é austero e as compras são melhor planejadas, não há tanto espaço para inovação e modismos. “O gosto brasileiro para móveis é voltado diretamente para a madeira. E vemos que [especialmente] a madeira maciça é preferência nacional”, diz, a designer da Oppa, Ana Carolina Toyama, ainda que o mobiliário em metal e plástico, em geral importado, tenha alguma presença.

A inventividade fica por conta da tentativa de customizar e recriar o tradicional ou artesanal, como aponta Andre Menin, arquiteto do studioMENIN, que faz projetos para a Finger Móveis Planejados “O conceito “faça você mesmo” fez sucesso, instigando a redecoração dos produtos industrializados com algo que o próprio cliente possa fazer. Isso aproxima o consumidor da marca e cria uma

relação entre a preferência desta ou daquela pessoa e o design aplicado por determinada empresa. É algo intangível, mas fundamental para o design dos tempos atuais”. A designer da Móveis Boa Vista, Joice Zwirtes, completa: “esse hábito de consumo exige que as empresas continuem investindo em diferenciais de produto, sem abrir mão da qualidade e eficiência dos serviços, atendimento, prazos de entrega e pós-venda”.

Do que a
gente gosta?

Do ponto de vista do varejo, a lógica da compra calculada é cada vez mais marcante, como observa Andre Menin: “percebe-se que 2016 repetirá alguns padrões deste ano, mas com novas inserções, como a preferência por produtos mais personalizáveis e, até mesmo, artesanais, ou com aspecto disso”, sugere. Para quem vende móveis, esses caminhos do consumo se refletem na demanda por flexibilidade no estoque, como sugere Joice Zwirtes: “os lançamentos são constantes e isso tem sido muito importante para o lojista, pois oferecemos muitas opções, o que tem sido decisivo no fechamento das vendas.”

Mas, para além da disponibilidade financeira do comprador e do momento econômico delicado, é interessante

considerar o impacto que o ânimo sociocultural tem na dimensão tão íntima de escolher objetos para a casa. “Acreditamos muito no resgate de técnicas aliado a novas tecnologias, além da reutilização e no valor de peças com laços afetivos. Prevemos um morar mais inteligente e, ao mesmo tempo, com forte carga afetiva”, pondera a diretora de estilo do clube de compras de móveis e decoração Westwing, Alexandra Tobler.

Muita luz,
muita calma

As tendências para móveis e decoração nos próximos anos podem ser resumidas na noção de simplicidade, o que não significa ambientes vazios ou mobília sem graça, pelo contrário. A ideia é favorecer tons neutros e cores da natureza, criar espaços iluminados e aconchegantes, acompanhando o fenômeno urbano das casas cada vez menores, que pedem cores claras e orgânicas para afastar a solidão e a claustrofobia.

Junte-se a isso o comportamento marcante de tornar o lar um ninho acolhedor, e temos branco, cinzas, preto, marrons, laranjas, roxos, verdes e cores pastéis que lembram doces, como amarelo, o Rose Quartz e o azul Serenity: essas duas últimas eleitas como cores de 2016 pelo Instituto Pantone. Essas cores se reúnem em uma paleta que inspira tranquilidade, leveza e torna a casa um refúgio contra o mundo lá fora.

A proposta para os materiais também é de mais naturalidade, até mesmo sensibilidade – além da madeira tão querida, tecidos como feltro e neoprene, aliados ao couro e à resina marmorizada, são as apostas de Alexandra Tobler, “Acompanhamos artes plásticas, música, design, feiras e semanas da moda. A partir daí surgem paletas e matérias-primas específicas”, explica.

As estampas não ficam de fora e trazem informação visual que segue a cartela de cores, às vezes em versões mais vibrantes, mas em grande parte com padrões geométricos e repetição – reforçando a atmosfera de familiaridade e segurança – além de tornar as peças mais fáceis de combinar e mais atemporais. E, por fim, vem a tendência do upcycling: reciclar, reaproveitar e elevar materiais já usados para criar soluções econômicas para o usuário e sustentáveis para o meio ambiente.

A tecnologia das coisas

O mobiliário para 2016-2020 também acompanha o estilo de vida dos usuários no que se refere à funcionalidade e à assimilação da tecnologia. Ganham, cada vez mais, espaço as peças multipropósito, compactas, de linhas simples e que possam ser deslocadas ou empilhadas. “A compreensão de como as pessoas querem nosso produto define qual caminho iremos seguir, independente de preferência de cor ou textura. O que nos importa é a experiência”, comenta Andre Menin, da Finger.

Também vale notar que os móveis já começam a acomodar os gadjets dos donos da casa – painéis para televisão já vêm com entradas por onde passam e se escondem todos os fios e cabos da TV ou laptop, decodificador da TV por assinatura, cabos HDMI e outras benesses tecnológicas que são uma maravilha, mas estragam a decoração e dão ares de bagunça caso fiquem com a fiação à mostra.

E em uma dimensão quase de sonho e sci-fi, porém mais próxima do que se imagina, já é possível encontrar móveis com tecnologia de ponta incorporada – mesas em que o tampo é uma tela sensível ao toque, sofás com caixas de som embutidas para dispositivos móveis, mesinhas laterais e criados-mudos que oferecem sinal de wi-fi ou carregam a bateria do seu celular se você o deixar ali.

O exemplo mais elaborado: a tecnologia TRANSFORM desenvolvida pelo Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT), que é descrita como “mobiliário dinâmico” – uma superfície formada por barras móveis e sensíveis ao movimento do usuário, e que se molda à forma, quantidade e posição dos objetos colocados sobre ela. As possibilidades a partir daí só dependem da área coberta com o sistema inteligente, que pode compor mesa de escritório, bancada para cozinha, mesa de jantar ou o que mais o usuário quiser.

Minha casa,
minhas regras

Na hora de arrumar a casa surge uma relação lúdica com os móveis, à medida que o usuário pode intervir mais na criação e customização conforme seus usos, ou mesmo montar e instalar a mobília graças às ferragens descomplicadas e design amigável, como é o caso da coleção criada pela Oppa em parceria com o designer Marcelo Rosenbaum e o Estúdio Fetiche. As peças são despretensiosas e podem compor ambientes de vários estilos. Móveis como a estante Ginásio III são fáceis de parafusar e as partes podem ser montadas conforme o espaço disponível e a necessidade do usuário.

No fim das contas, tudo pode ser interpretado ou mesmo subvertido. As grandes tendências estão aí não mais como dogmas, e sim como sugestões, insinuações que se misturam ao gosto e à intimidade de cada um para criar o lar ideal. É nesse espírito que surge o que talvez seja a real onda para mobiliário e itens de decoração hoje: autenticidade. Independente do poder aquisitivo, em todas as instâncias o consumidor busca se cercar de itens que mostrem sua personalidade, que deixem claro - eu moro aqui.

A tentativa de entender o comportamento de compra é batizada por termos como mapeamento do sistema de consumo, do ciclo de atividade ou jornada do cliente. Nessa temática, surgem as tendências de consumo: padrão emergente no comportamento do público que se desenha a partir do atrito entre necessidades básicas humanas e as mudanças que marcam cada período histórico. Acompanhar as tendências é a estratégia adotada pelas marcas para compreender e antecipar as expectativas dos consumidores - que mudam rapidamente.

Velhos desejos satisfeitos de
novas formas


Se as necessidades humanas são imutáveis, o que muda então? Para a TrendWatching o que se altera são as formas como o mercado, o tempo, as marcas e os empreendedores destravam desejos e valores dos consumidores.

Luciana Stein, diretora para América Latina e Central da TrendWatching, observa que cada tendência traz em sua essência as necessidades, desejos e valores do público, que não mudam a cada semestre ou a cada ano. “Os gostos e as preferências entre os consumidores não se desenham exclusivamente pela geografia, grupo social, etário, de recursos econômicos. Hoje vivemos em um cenário de consumo pós-demográfico”.

Esse tal de consumidor...


De acordo com o TrendWatching, a web criou uma vitrine global levando pessoas de diferentes pontos do globo a adquirir os mesmos produtos e serviços e a adotar comportamentos semelhantes. Isso é mais latente entre os jovens. Os gostos e as preferências entre os consumidores não se desenham exclusivamente pela geografia, grupo social, faixa etária e recursos econômicos.

Luciana Stein analisa que o cenário social, econômico, ambiental e politico único da América Latina constrói impulsos particulares que motivam o comportamento de compra. “A impulsividade, a emotividade, o desejo por conexão social e os valores familiares são impulsos frequentes relacionados aos consumidores latinoamericanos”, assinala.

Atitudes do novo consumidor brasileiro


Está mais racional e exigente;

Prefere produtos com qualidade suficiente, mas com preço baixo;

É mais sensível a preços. Se preço aumenta, ele troca para outro similar;

Consciente sobre o valor da moeda;

Está menos vulnerável ao poder da marca;

Menos fiel a produtos e marcas, quem conceder descontos sai na frente;

Compra produtos por conforto e preço;

Frequenta várias lojas antes de efetuar uma compra;

Prefere sempre experimentar novos produtos;

Brasileiros são sempre os primeiros a experimentarem novos produtos.

Economia da expectativa


Para Luciana Stein, vivemos sob a “economia da expectativa” na qual as pessoas têm expectativas muito altas a respeito do que desejam das marcas e, inclusive, dos governos.

“Consumidores comparam experiências de consumo muito diferentes. Por exemplo, serviços de um banco com serviços de compra de um filme do Netflix. O ato de pedir uma pizza, com um pedido por um táxi”, analisa.






5 Padrões
dirigindo o consumo

De acordo com o Trend Watching, entre os fatores que devem influenciar os padrões de consumo no futuro breve estão:

URBANOS

A cidade e as casas dos consumidores reiventam-se e se enriquecem para oferecer mais abrigo, mais integração, mais informação e mais segurança.


AMBIENTAIS

O mercado devarejo deve oferecer mais recursos aos consumidores para que eles possam lidar com as mudanças ambientais e as situações “emergenciais”.


TECNOLOGIA

A tecnologia se integrou ao cotidiano e os parâmetros éticos de uso
dos produtos começam a ser questionados. Todas as empresas se tornam “empresas de tecnologia”.


SOCIAL/EDUCAÇÃO

A escola e a universidade estão mais parecidas com serviço “usado” ao longo da vida. A educação se torna constante, assim como as mudanças.


POLÍTICA

A política não perde a sua importância, mas ela se dissolve em pequenos movimentos cotidianos e na participação via internet.

Feitos para consumidores


A diversidade de estilos de vida dos muitos públicos é o grande desafio a ser vencido pelas marcas. Em meio à diversidade de tendências de consumo e de perfis de consumidores, as empresas são compelidas a fazer ‘apostas’, de acordo com a suas identidades próprias e seus consumidores primários.

“Antecipe o Futuro” é o slogan do Grupo Häfele, líder de mercado em acessórios para móveis e ferragens. Sibylle Thierer, CEO mundial, ressalta que a companhia orienta-se para ser capaz de responder às necessidades de clientes, antes mesmo que surjam.

“Nossa equipe de desenvolvimento de produtos está constantemente trabalhando em cima de novos projetos e melhorando a linha existente, permitindo, assim, que os parceiros atuem de forma mais rápida, precisa, eficiente e criativa. Cada uma de nossas seis fábricas na Europa possui sua própria equipe de engenheiros, que cria novos produtos de acordo com as necessidades apontadas pelos clientes”, conta.

O cenário de aumento nos preços imobiliários e a redução das áreas de trabalho e de convívio disponíveis, levou o Grupo Häfele a desenvolver o conceito “Mais vida por metro quadrado”, que tem como base o conforto, a comodidade e a funcionalidade.

“Para isso, a empresa dirige esforços na produção e no desenvolvimento de ferragens inovadoras que possam ser facilmente integradas na indústria moveleira. Com isso, busca-se atender às questões relacionadas ao design, produção e logística, sem, contudo, comprometer as necessidades dos consumidores finais por produtos simples e práticos”, compartilha Fábio Rossini, gerente nacional de vendas dos canais Indústria e Marcenaria da Häfele Brasil.

Tempo e espaço


A gestão do tempo, a metragem reduzida dos imóveis e a sustentabilidade são, para a Cipatex® , os principais fatores que devem influenciar os padrões de consumo no segmento de produtos para casa no futuro.

Luis Spezzotto, gerente de produtos do setor moveleiro da Cipatex® acredita que o estilo de vida das famílias requer mais praticidade e a procura por produtos que atendam essa necessidade deve continuar no futuro. “A dona de casa de múltiplas funções vai exigir cada vez mais materiais de fácil limpeza. No caso de revestimentos para móveis, a tendência é o aumento da procura por produtos que não acumulam poeira e os impermeáveis. Além disso, o conforto e a beleza são itens indispensáveis”, aposta.

Os espaços reduzidos devem influenciar o consumo. “Os consumidores devem procurar móveis compactos para decorar a residência. A queda no poder aquisitivo também deve influenciar na escolha”, analisa Spezzotto complementando que a preocupação com o meio ambiente é outro item que deve ser levado em conta. Para ele, a procura por produtos fabricados por empresas que incorporam a sustentabilidade em seus processos deve crescer.

Praticidade,
conveniência e mobilidade


Olegário Araújo, especialista em varejo e consumo e diretor da Consultoria Inteligência em Varejo, destaca que a massificação do smartphone modificou os hábitos do consumidor. Pesquisas do Google confirmam: 80% dos brasileiros usam seus dispositivos móveis para saber mais sobre algum produto ou serviço que querem comprar. A gigante de buscas batizou o fenômeno de Revolução dos Micro-Momentos: o “momento eu quero saber”, o “momento eu quero ir”, o “momento eu quero fazer” e o “momento eu quero comprar”.

O especialista enxerga como tendências do varejo:






Busca constante por praticidade e conveniência, motivadas pelas questões de mobilidade e acessibilidade






O fenômeno do showrooming






A integração da tecnologia com a operação
(que pode exigir soluções sofisticadas ou simples)

“Saímos de um mundo no qual predominava a lógica da oferta e entramos em uma era na qual o poder é a demanda. É a demanda que decide. O desafio é que essa demanda pode chegar a um nível tal de granularidade que será preciso agrupar para definir o perfil do consumidor-primário. Essa decisão impacta o planejamento do mix de produtos e o layout de loja”, recomenda.

A questão da privacidade sobre as informações, os conceitos da cocriação e do compartilhamento, o sentido de pertencimento e a ocasião de uso são questões para os varejistas ficarem atentos.

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O Projeto Conteúdo é uma iniciativa da Alternativa Editorial/Revista Móbile, especializada em comunicação para o setor moveleiro. Os temas abordados são relevantes e focados em tendências para o mobiliário, design de móveis e comportamento de consumo.

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