A importância da cor e da sua interação com os materiais são aspectos que encontramos em muitos objetos contemporâneos: pensemos na importância da cor na produção dos objetos de Alessi, na pesquisa de materiais e cores em Kartell, no desenvolvimento de fibras e tecidos multicoloridos que a Missoni aplica, não apenas na moda, mas no design de muitos elementos de mobiliário.

onsidero a cor um argumento que atravessa todos os setores e campos de conhecimento: da filosofia à ciência

natural, da biologia à medicina, da antropologia à psicologia, da física à química, das artes aplicadas ao design industrial, das vitrines às embalagens. E, obviamente, os produtos que estamos utilizando ou desejando neste momento: afinal, tudo tem cor. Ela é transformação contínua, e a sua percepção visual depende da capacidade do nosso cérebro de formar e memorizar imagens elaborando o que vemos e como vemos a todo instante, inclusive a percepção que temos dela!

De outra parte, as cores e a sua extraordinária capacidade de contar cada aspecto da vida constitui um precioso instrumento para compreender a História da Humanidade: a nossa espécie evoluiu adaptando-se ao território, à sua colocação geográfica e às condições climáticas, desenvolvendo culturas diferentes, e apreço diversos pelas mesmas cores: o preto no mundo ocidental é ligado ao luto, enquanto que no oriente nos funerais se usa a cor branca...

Por uma Arquitetura & Interiores sem medo das cores

Nos anos 70 o departamento de Psicologia da Universidade de Göteborg conduziu uma das primeiras pesquisas sobre cores no mundo, que detectou que a maior parte das pessoas demonstra-se crÍtica em direção da ausência de cores em espaços externos e aprecia ao invés da aplicação de cores alegres. Pode-se àquela época concluir que, para as pessoas, a importância da cor no projeto de arquitetura é fundamental e que inclusive podem se sentir mais ou menos alegres dependendo do tom com o qual suas casas - ou seus condomínios - foram pintados. De outra parte, veio com toda a força o movimento modernista que preferiu o preto, o branco e o cinza à policromia. Será que no fundo temos medo das cores?

Estudos recentes confirmaram que a nossa reação à cor é total: somos influenciados seja psicologicamente ou fisiologicamente. As cores, sobretudo no ambiente arquitetônico no qual vivemos diariamente, trabalho, casa e entorno, são profundamente ligadas às fases históricas e encarnam o Zeitgeist de forma pontual e aqui a cromofobia (medo das cores) é recorrente na nossa cultural ocidental e demonstram isto as inúmeras tentativas de eliminar a cor da arte, da literatura e claro, da arquitetura.

Como o Neoclássico
e o Minimalismo
acabaram com as cores

Entre o século XVIII e o XIX , o estilo Neoclássico eliminou as cores da arquitetura e da escultura simplesmente porque os numerosos achados arqueológicos da época conduzidos nos territórios da antiga Grécia, traziam à tona objetos privados de decoração!!! Um equívoco que ainda hoje persiste - quando pensamos na Grécia e no Mundo Antigo - não vem à nossa mente primeiramente aquelas imponentes colunas brancas de mármore? Pois então, a tecnologia hoje nos demonstrou que era exatamente o contrário: as cores eram o principal atributo da arte clássica, como as ruínas multicoloridas de Pompéia começaram a nos demonstrar.

Mas o movimento modernista, que foi claramente influenciado por estas descobertas, e que na sua base conceitual buscava a pureza das linhas, formas e cores, considerou que estas então seriam um ornamento, eliminando-as radicalmente das nossas vidas. A partir do século XX o nosso habitat cromático sofreu uma radical mudança que determinou o estereótipo das cidades contemporâneas onde dominam o cinza do cimento e as tonalidades metálicas dos automóveis.

Particularmente após a Segunda Guerra Mundial, na maior parte das cidades europeias prevaleceu a lei do nivelamento coletivo que reduz a cor a inútil elemento acessório,

desprovido de seu valor social. Para terem uma ideia, até hoje no sul da França legalmente existem apenas sete cores com as quais você pode pintar a sua casa ou condomínio. Se sair desta regra, vem a multa e a ordem de pintar de acordo.

Nos anos 90 do século passado difundiu-se um fenômeno de costumes ligado à utilização do branco, do preto e do cinza e com isto afirmou-se o “Minimalismo” (errônea interpretação do homônimo movimento artístico nascido nos anos 50), que é um paradoxo estilístico que podemos definir como o ápice da “cultura acromática” (sem cor). Esta tendência, primeiramente percebida como status pelas classes mais elevadas, progressivamente investiu tudo nas demais faixas sociais, tornando-se um padrão estético absoluto e irrenunciável que gera um panorama terrível: casas completamente brancas, vestidos exclusivamente pretos e contextos urbanos cada vez mais cinzas.

A ampla influência desta tendência era de se justificar também nas vantagens imediatas de soluções que faziam economizar tempo e não requeriam particulares competências da parte de quem realizava as atividades relacionadas à área, como casas de pintura e pintores de casas. Ou seja, era muito melhor pintar uma casa inteira de branco, externa e interna, do que ficar imaginando cada cômodo de uma cor, certo?

E ao fim, o medo da cor, gera a ignorância das cores. Felizmente atualmente estamos “acordando” deste pesadelo em preto e branco e redescobrindo os valores incríveis que uma paleta multicolorida pode nos proporcionar, fisicamente e psicologicamente. E para evitar que isso se repita no futuro, entra a educação das cores, que deveria ser um tema a discutirmos nos percursos formativos de designers, arquitetos e decoradores de interiores.

Cores no Comportamento de Consumo

A cor no design industrial é muito utilizada também como cosmética, ou como chamamos o “make-up do quotidiano” que rende fascinante até os objetos mais insignificantes. E ela é extremamente importante no design pois induz não apenas a estados de ânimo e impressões subjetivas e objetivas mas influencia a nossa ideia de volume, peso, tempo e rumor. Na experiência da cor no design, seja de moda ou de mobiliário, todas as informações confluem em uma percepção unitária onde a experiência e o instinto se fundem.

A nossa época e seu desenvolvimento tecnológico influenciou profundamente a nossa cultura que hoje solicita novos approachs à cor, e verifico que se está afirmando um novo sentido do uso das cores e então uma nova percepção. Nesta era digital o mundo virtual nos coloca à disposição milhões de cores e filtros, como vemos no Instagram, mesmo se já foi demonstrado que nosso olho não consegue visualizar tudo isso! E assim estamos nos dirigindo à outra parte

agora: à uma multiplicação vertiginosa e rapidíssima de cromatismos artificiais que interrogam sobre a potencialidade e os limites, claro, da mente humana.

Um dos sinais que temos visualizado disto no design ficou muito forte no mais recente Fuorisalone com a Tendência Projetual Iridescência (este é um fenômeno óptico que faz algumas superfícies refletirem as cores do arco-íris. Materiais iridescentes são popularmente conhecidos como “furta-cor” no Brasil e no mundo do Design e da Moda tem estado presentes em todos os maiores players destes sistemas) e ainda o Cosmic Mood (este abordamos no vìdeo deste post), que também estava presente na grande parte dos desfiles das semanas de moda Outono/Inverno 2014/15 e Primavera/Verão 2015. Um arco-íris em tecidos e materiais - onde o vidro é a proposta mais interessante.

Na natureza a cor assume duas funções distintas, a de mimetizar e evidenciar, e o marketing prontamente a imitou, no design e na moda, principalmente. Nos últimos

anos ele começou a fazer uso da cor quase que da mesma forma com que os animais usam com os predadores. A influência dos componentes cromáticos na escolha dos consumidores é tão profunda que às vezes é realizado o uso coercitivo para veicular informações até subliminares. Às vezes uma cor se torna elemento único e caracterizante de um produto, tornando-se um verdadeiro e próprio instrumento de persuasão que, aproveitando-se do “panorama cromático caótico”, engana inclusive a nossa racionalidade.

Tendências
no uso da Cor

Para saber para onde estamos indo, insisto sempre em sabermos aonde estivemos antes! E para sabermos que cores e combinações virão à tona logo mais, nada melhor do que saber das influências da cultura e do comportamento das pessoas, elementos do Zeitgeist, que influenciam esta aparição no mundo.

Nos anos 50, por exemplo, dominavam as cores pastel - que hoje retornaram com força total - que ampliam a percepção das dimensões. São os anos da reconstrução do pós-guerra, de grande prosperidade, das pin-ups e dos carros com rabo de peixe. As tintas delicadas da moda feminina exprimiam o desejo de sair do conflito, de esquecer a guerra e inventar um mundo novo. Nos anos 60 o boom econômico alimenta as esperanças da classe burguesa e o mercado começa a pensar no nicho jovem, que começa a se destacar por meio da música, o nascente rock’nroll, e a alegria contagiante deles abre espaço a todas as cores.

O masculino se abre ao feminino e vice-versa, nasce a moda “unissex” com os tons psicodélicos e decididos como azul índigo (que a calça jeans, nascida na mesma época, usa com muita propriedade), o violeta, o verde ervilha e o amarelo aqui chamado de “Positano” pois lembrava o limão com casca amarela (tipo limão siciliano) que é desta região. No final da década se impõe o estilo “optical”, que traz o contraste entre branco e preto.

Nos anos 70 prevalecem as cores quentes: vermelho tijolo, marrom, laranja e amarelo mostarda, que parecem antecipar os anos de austeridade que vieram após a crise petrolífera, que deixou o ocidente e toda a sua sociedade industrializada em joelhos. Na segunda metade dos anos 70, a moda reflete novamente a sociedade “pós boom econômico” que estava imersa em uma nuvem de negatividade. Origina-se deste Zeitgeist (mood cultural do momento) o movimento “punk” que sintetiza toda a decepção dos jovens por meio do uso das cores pretas na sua roupa do dia a dia. Nos anos 80, a renovada confiança nos mercados e nas bolsas americanas faz vir à tona um novo entusiasmo, com os códigos dos yuppies e aqui se concretiza

a “sociedade da imagem”, onde aparecer é melhor do que ser. Então prevalecem tintas fortes como o amarelo ácido, vem o fúcsia e os tons fosforescentes do esporte.

Nos primeiros anos 90 dominam as cores que vimos anteriormente, ou seja, acromáticas, nas casas brancas, nos vestidos pretos e nas cidades cinzas. Na moda, o preto - que auxilia visualmente a emagrecer - começou a ser utilizado para realçar e interpretar os modelos de beleza que vimos até o final do século passado.

No final desta década a descoberta da “sustentabilidade” veio expressa nas tonalidades redescobertas de verde e fibras naturais, além dos tecidos reciclados.

Hoje estamos renovando nosso interesse pelas cores, e de fato desde o início desta década vimos na Imm Cologne, Maison Objet e Salone/Fuorisalone um cromatismo intenso, e uma caída substancial dos tons acromáticos. Nos novos projetos arquitetônicos, e isso está cada ano mais claro aos vencedores do mais importante premiação mundial de Arquitetura, o Pritzker, os espaços públicos e os ambientes domésticos testemunham quanto o elemento de cor seja considerado cada vez mais um recurso para a valorização e a recuperação do território, em grau de harmonizar e incidir sobre a qualidade da vida.

Sobretudo em um período de crise econômica e existencial como esta, porque a cor representa o instrumento mais

rápido e econômico para requalificar e melhorar a qualidade de vida. Obviamente não é um caso que os “writers” (grafiteiros em inglês) que são uma das “antenas mais ligadas” da contemporaneidade estejam dominando a paisagem urbana com a sua streetart! Justamente porque cores dos grafites dão vida às cidades cinzas e adormecidas cromaticamente… e pelo que parece aos interiores, como fez o artista Pavel Vetrov seguindo nos passos do polêmico “panic Room” do writer Tilt para o hotel francês Aux Vieux Panier em 2012.

Falando nisso, veja por exemplo neste link a quantidade de cores que estes grafiteiros brasileiros, verdadeiros artistas, são capazes de colocar lado a lado, criando visões cheias de estórias para contar, belas de olhar e com tantos significados a explorar. Alguma coisa poderemos aprender com eles, não acham?

Da mesma forma, se de um lado a negação da cor acompanhou toda a modernidade, o excesso de coloração como mero elemento decorativo, que muitos chamam de “efeito Romero Britto”, é também alarmante, simplesmente porque a cor deve ser estudada antes de ser aplicada. Paradoxalmente hoje o branco, por exemplo, está muito presente no design, da casa ao automóvel, pois está sendo identificado como a nova cor do luxo, que foi por muito tempo do azul e do violeta.

Podemos concluir que é propriamente o conceito de tendència ou o que nós chamamos aqui na Itália de “pantonização” do mercado a criar a desinformação. Os designers italianos com quem tenho falado acreditam que é incorreta e inquietante a massificação de informações como a “cor do ano” (que deveriam durar no tempo e não apenas 12 meses) ao ambiente doméstico feitas por pesquisa de marketing por empresas que vendem, obviamente, pigmentos e ou tintas.

Na Moda e no Design, o que
virá e para onde olhar?

Graças ao emprego da nanotecnologia estamos em grau de replicar a pigmentação da couraça de alguns besouros e produzimos com isso vernizes “de interferência” caracterizados por tintas fortes e luminosas que mudam conforme a qualidade e a potência da luz. Os processos eletroquímicos, com modalidades similares àquelas que regulam a coloração das asas de borboletas, consentem de modular a refração da luz conferindo diferentes colorações a metais como o alumínio mediante a oxidação de sua superfície.

A tecnologia LED representa apenas o início de uma nova geração de aparelhos iluminadores sobre os quais será possível modificar a cor da luz e difundir uma vastíssima gama de tonalidades.

Neste processo de tecnologia, as indústrias como a automobilística e dos aparelhos eletrônicos e digitais, jogam um papel determinante em antecipar-nos as tendências cromáticas que estão por vir, então é para elas que também devemos olhar quando projetamos moda ou mobiliário. Empresas como Alessi, BTicino, Kartell, Missoni e Pedralli fazem isso e são as que mais considero up to date no setor de bens de consumo italiano pois interpretam com originalidade as complexas e dinâmicas tendências de cores do presente.

Como tonalidades, recebo muitos reports de empresas internacionais que divulgam suas apostas na moda principalmente e percebo quatro famílias sempre presentes, e que acredito serem relevantes para 2016: tons que vem da NATUREZA, com predominância de musgos e do ambiente das montanhas; tons que vem das nossas MEMÓRIAS, com predominância de ecos de 1970 e 1980, onde os azuis e famílias românticas eram impactantes; tons que vem do nosso IMPULSO em sair da crise, assim vejo cores fortes para combatermos o pessimismo, como laranjas e vermelhos vivo e finalmente tons que vem da HARMONIA que encontramos quando nossa mente, corpo e alma estão em equilíbrio, e aqui, tons cromáticos tranquilos como o rosa bebê e nuances mais claras que o tom pastel se insinuam.

Para concluir, espero que os projetistas do amanhã sejam em grau de individuar, compreender e traduzir um mundo cromático sempre e cada vez mais articulado e complexo!

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A psicodinâmica estuda forças psicológicas que agem sobre o comportamento humano, enfatizando a interação entre motivações conscientes ou inconscientes. No mundo da decoração de interiores, a cor exerce sua influência no ambiente e no humor das pessoas e é sempre objeto de análise emocional para a composição do espaço

homem tem consciência que as cores têm grande influência psicológica sobre ele. Determinada cor em um ambiente interno pode trazer alegria, energia e paz como também pode provocar inquietação,

nervosismo e preocupação. Espaços com predominância de cores quentes como vermelho, amarelo e laranja – principalmente em planos maiores como paredes, teto e chão – levam certo nível de agitação, enquanto cores frias como verde, azul e violeta tendem a proporcionar sensação de relaxamento e serenidade. A cor em um ambiente também pode fazê-lo parecer maior ou menor, mais alto ou mais baixo, mais agitado ou mais sereno, mais iluminado ou mais escuro. E é isto que afeta, num maior ou menor nível, as pessoas.

No entanto, isto não é uma regra. Pesquisas científicas sobre os efeitos das cores não levam a respostas absolutas ou confiáveis. Análises que testam a permanência de pessoas em determinados ambientes coloridos confirmam isso. O experimento apresenta resultados contraditórios quando é repetido da mesma maneira em outro momento ou com amostragem de público diferente.

Desta forma, embora muitos ainda busquem um sentido generalizante das cores para com as pessoas, não há base científica para imaginar a cor como uma tecla que, quando acionada, cause um efeito conhecido no estado psíquico das pessoas. A percepção humana é um território extremamente complexo, com um potencial associativo imensurável para estabelecer novas relações, interpretações e significados.

Por esta razão, Lilian Miller Barros, especialista em percepção das cores do Centro de Estudos Universo da Cor, afirma que é preciso ter muito cuidado ao tirar conclusões precipitadas sobre o efeito das cores no estado de espírito. “Embora ambientes iluminados, ensolarados e coloridos sejam em geral mais animadores do que espaços escuros e com pouco contraste, as sensações do usuário dependerá, sobretudo, da função que eles buscam no recinto: se é uma área de descanso, acolhedor, intimista ou de trabalho, diversão, para estar desperto”, considera.

Cada um
é cada um

Em todo esse espectro, ainda há formas, estilos, texturas e associações culturais que interagem com as cores para dar sentido a elas. Assim, a interpretação da cena visual é o resultado intrincado de todas as relações passadas, tanto no nível consciente como inconsciente. Ainda, a sensação cromática interage com outros sentidos além do visual, como paladar, olfato, tato, audição, sensação de frio ou calor, etc.

Outro ponto é a estrutura emocional e cultural do usuário que é fundamental na sensibilidade do ambiente. “Se você tem preconceito em relação à determinada cor, ou predileção, ou se está de mau humor, por exemplo, cores e formas serão apreendidas de maneira distorcida por meio deste filtro, com conotações negativas ou positivas. E ninguém está isento disso, pois fazem parte dos condicionamentos sociais, culturais e da própria experiência de vida de cada um”, argumenta Lilian.

Um exemplo é que para algumas pessoas um tom de amarelo vivo é uma cor agressiva e intensa para recobrir uma parede, enquanto para outros conota bem estar, tornando o ambiente alegre e iluminado. Em outro caso, o vermelho em excesso pode ser cansativo ou irritante num ambiente quando associado a determinadas formas e inserido num jogo específico de contrastes. Em outro contexto, o mesmo tom de vermelho, associado a outras formas e cores, pode ter um efeito acolhedor e agradável. “Tudo isso depende, como já disse, da expectativa do usuário, do seu repertório cultural e do seu estado de ânimo”, destaca a especialista.

As cores nos ambientes

A escolha de uma paleta de cores está sempre vinculada ao tipo de uso que se vai fazer do ambiente e também à pessoa que vai usá-lo. Mesmo com esta premissa, há designações para as cores com as sensações que elas provocam em determinados ambientes.

A presença do branco – que do ponto de vista físico é a soma das cores – aumenta a luminosidade do ambiente e faz com que ele pareça mais amplo. Em contrapartida, totalmente branco transmite impessoalidade por não oferecer pontos de destaque tornando-o monótono. Assim, a inclusão de cores sólidas e padrões madeirados podem tornar o local agradável e dar uma maior sensação de maior conforto visual. “Num ambiente predominantemente branco os madeirados propiciam maior sensação de aconchego e bem-estar por estarem vinculados ao marrom em alguma de suas tonalidades”, declara Lima, do Senac.

O professor também cita que azul, verde e violeta, cores mais frias, dão uma sensação maior de calma e tranquilidade, podendo ser usadas com eficácia nos ambientes onde o descanso e a concentração é requerida, como quartos e salas de estudo, por exemplo. “O banheiro também pode contar com tons mais claros, dando impressão de maior limpeza”, diz.

Já cores mais quentes como vermelho, amarelo e laranja, por provocarem uma impressão de maior agitação, devem ser usadas em ambiente de menor permanência como lavabos. “Porém, depende muito do tom utilizado: tons menos luminosos (mais apagados) destas cores funcionam bem em cozinhas e salas de estar, desde que combinados com outros mais neutros”, afirma.

Outra possibilidade, de acordo com o professor do Senac, é o uso de uma base neutra – areias, beges e cinzas. Ele tem observado que, cada vez mais, tem-se preferido usar cores pastéis nos quartos de bebês independente do sexo da criança, não associando mais o azul aos meninos e rosa às meninas. Entre estas cores neutras, a cor cinza está tomando o lugar do bege e areia em espaços neutros. “Isto porque esta cor, quando usada numa tonalidade mais clara, não causa nenhuma sensação física ao usuário, além de destacar qualquer outra cor que também esteja presente no ambiente”, analisa Lima.

E o móvel?

Para o mobiliário, Vladimir Ferreira Lima diz que valem as mesmas regras das escolhas de cores para planos maiores: cores quentes dão vivacidade e alegria que vão fazê-los parecerem maiores, e cores frias empregam mais sobriedade também fazendo parecerem menores. O acabamento também garante um toque diferente. “Ao usar cores na mobília também é importante observar que superfícies muito brilhantes vão refletir mais a luz, podendo incomodar algumas pessoas, portanto a escolha correta do tipo de acabamento (brilhante, acetinado ou fosco) pode fazer muita diferença”, explica Vladimir Ferreira Lima. E em ambientes neutros o mobiliário pode estar presente com pontos de outras cores. “Móveis coloridos normalmente dão uma impressão de maior contemporaneidade aos ambientes”, destaca.

Ensino aberto

Como cada indivíduo tem sua bagagem cultural e percepção própria das coisas, com as cores isso não é diferente. E por essa razão, Lilian Miller Barros procura não ensinar receitas prontas de aplicação das cores aos seus alunos do Centro de Estudos Universo da Cor, em São Paulo. “Em exercícios, arquitetos e designers compreendem a interatividade cromática para criarem projetos em que prevaleça conforto visual e boa legibilidade de contrastes. Descobrir e ampliar as possibilidades de combinar as cores é algo que enriquece o trabalho de todos que lidam com a comunicação visual”, diz a especialista. A linha de pesquisa e trabalho da especialista é contra imposição de regras de harmonia ou receitas prontas de composições ideais. “Isso porque a concepção de cores harmônicas articula-se com a cultura, com hábitos, com influências de diversas origens e também está relacionada ao gosto subjetivo do usuário”, comenta.

Desta forma, Lilian conclui que não convém limitar o universo das cores a padrões preestabelecidos. “Cada projeto tem suas particularidades, envolvendo costumes e contextos dos usuários.

O ideal é sempre considerar o conjunto composto pelo espaço, formas e cores, por meio de uma visão mais abrangente e menos dogmática. Cada contexto com suas particularidades apresenta uma rede de relações que pode transformar, questionar ou até mesmo contradizer uma determinada simbologia associada às cores. Designers de interiores e arquitetos sabem que um projeto transforma-se com a composição de cores. Sutis diferenças de luminância entre os tons coloridos fazem grande diferença na leitura do espaço e sua atmosfera, evitando ofuscamento e desconforto visual. Por isso é tão importante, sobretudo para esses profissionais, compreender o funcionamento do nosso aparelho visual e aprender a dominar as relações entre os contrastes”, diz.

As cores são elementos bem importantes na composição dos móveis, porque com elas é possível dar maior ou menor ênfase a um determinado produto, adequando-o às necessidades de cada ambiente, de cada projeto. “Geralmente as cores e padrões de revestimentos já são definidos com o nascimento do produto, mas muitas vezes opções variadas ou personalizadas aparecem e tornam-se possibilidades muito interessantes”, explica Inácio Schonorrenberger, arquiteto/designer do departamento de desenvolvimento da Herval.

A Pantone

marca norte-americana é considerada uma autoridade em cores, mundialmente conhecida

pelos seus sistemas e tecnologias de ponta para processos que envolvem cores com reprodução precisa. É uma linguagem padrão para a comunicação em todas as fases do gerenciamento de cores desde o designer até o fabricante, revendedor e consumidor.

Seus lançamentos de cores e catálogos são pesquisados e seguidos por várias indústrias de diversos ramos e profissionais das mais diferentes áreas. Assim como os catálogos de outras empresas, como de indústria de tintas, tecidos, entre outras que ditam tendências.

A Pantone, além de lançar anualmente tendências em cores, também oferece ao mercado catálogos especiais ao longo do ano. O mais recente lançamento foi no mês de agosto, de 210 novos tons de cores para moda, decoração e interiores com destaque para os mais procurados tons atuais e para o futuro. Estas novidades foram estrategicamente selecionadas, focadas em áreas importantes e significativas do mercado. Segundo a empresa, após estes lançamentos, atualmente são 2.310 possibilidades técnicas de tons de cores disponíveis.

Importância das cores no Mobiliário

As cores são elementos bem importantes na composição dos móveis, porque com elas é possível dar maior ou menor ênfase a um determinado produto, adequando-o às necessidades de cada ambiente, de cada projeto. “Geralmente as cores e padrões de revestimentos já são definidos com o nascimento do produto, mas muitas vezes opções variadas ou personalizadas aparecem e tornam-se possibilidades muito interessantes”, explica Inácio Schonorrenberger, arquiteto/designer do departamento de desenvolvimento da Herval.

Fabricantes
e tendências

As empresas fabricantes de móveis e objetos de decoração ficam divididas entre seguir ou não as tendências de cores pré-definidas por empresas que lançam frequentemente catálogos de cores do momento.

A gaúcha Herval procura usar os padrões da Pantone na definição de novas cores. De acordo com Schonorrenberger, esta atitude facilita a divulgação e padronização de materiais como tintas, tecidos e outros materiais que recebem o mesmo acabamento. “Isso facilita a comunicação entre fabricantes e clientes”, avalia.

Já a arquiteta Adriana Ciliprandi, da Marel, explica que para escolher as cores dos produtos sempre são consultados catálogos para que as cores sejam atualizadas. “Porém, a inclusão dessas cores depende de alguns critérios, como necessidade de mercado e harmonia com a coleção”, explica.

Na Estobel são analisadas as tendências pela cartela da Pantone, para que seja dada uma direção para onde o mercado está indo. Segundo a gerente comercial da empresa, Sara Neris, também são observados quais as tendências desenvolvidas pelo Comitê Brasileiro de Cores, as feiras em Milão (Itália), entre outros. Em seguida, questiona-se: ‘estas cores se encaixam bem para estofados?’.

Por outro lado, a mineira Sier diz que não é frequente, mas utiliza os catálogos apenas como referência durante as pesquisas para o desenvolvimento de produtos e suas cores. “Escolhemos as nossas cores por meio de pesquisas de mercado e em feiras internacionais”, afirma o gerente de produtos Carlos Alberto Reis.

Para a empresa BelMetais, que tem como matéria-prima principal o aço inox, a cor predominante é a deste metal. As cores ficam por conta da estofaria ou algum detalhe em madeira. Para Thiago Bertochi, do desenvolvimento estratégico, as escolhas destas cores são definidas de acordo com a disponibilidade do catálogo das empresas têxteis parceiras. “Essas, por sua vez, têm um grande know how em tendências de mercado, auxiliando na definição destas cores”, diz.

“Os lojistas costumam fazer solicitações em relação aos lançamentos, que, por meio do contato com o púbico final, percebem as novas necessidades e desejos. Esses pedidos, somados aos demais estudos são avaliados e, se for condizente, lançamos os produtos”, explica Adriana da Marel, que completa: “O nosso consumidor é exigente e antenado às tendências do mobiliário, principalmente quando se parte de um projeto com especificador. Ele aceita muito bem os lançamentos e os resultados podem ser percebidos nos números das vendas”.

Para Bertochi, da Belmetais, grande parte dos clientes/consumidores têm uma postura conservadora na escolha dos tecidos, mas há também público para escolha dos mais ousados. “Podemos dizer que o tecido mais vendido há três anos na empresa é o de cor neutra, comprovando esse conservadorismo”, completa.

O coordenador do departamento de desenvolvimento da Herval, Rafael Reis, comenta que quanto à preferência de cores dos consumidores ainda o maior volume é voltado a padrões mais neutros, principalmente em produtos maiores, deixando as cores mais fortes para detalhes e complementos “Porém, é notável que revestimentos e acabamentos coloridos ganham cada vez mais espaços”, comemora.

Esta situação também é percebida na Enele. “Em alguns detalhes no móvel o consumidor gosta de um colorido. Assim como nas poltronas, quando para compor um ambiente com estofado em tecido liso.
Mas como os móveis e estofados têm vida longa, a maioria dos clientes opta por cores neutras e tradicionais”, completa Anamaria Lazaron Arnoldo, do marketing da empresa.

Novidades e lançamentos

A Herval explica que já iniciou o desenvolvimento da linha 2016, portanto não tem definido ainda quais os produtos e padrões serão lançados. “Acabamos de lançar para o mercado durante o Salão de Gramado a cor Off White nos padrões brilho e fosco, e ambas tiveram uma aceitação muito boa por parte do clientes”, pontua Reis.

A arquiteta Adriana conta que na Marel, para a próxima coleção, os lançamentos serão os novos padrões madeirados, a Formica Aço Corten e Laccato da Marel com dez cores e dois tipos de acabamentos, o brilho e o acetinado, produto muito solicitado pelos clientes. “Algumas alterações na modulação se fazem necessárias e os acessórios também estão sendo estudados para um melhor desempenho de toda a linha.”

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Elemento de diferenciação, a cor influencia tudo o que encontramos ou visualizamos, e a indústria trabalha esse importante quesito na hora de desenvolver seus produtos

onectar e desconectar. Do superficial ao minimalismo. Do caos à natureza livre. Fazer parte do mundo onde impera a

informação e a tecnologia, mas encontrar refúgio em sua paz interior, desconstruindo seu modo de viver. No meio desse dualismo, o ser humano busca fazer a diferença para assegurar uma existência mais autêntica e reflexiva.

Acrescentar “cor”, no sentido literal da palavra, pode garantir que o estilo de vida reflita o que a pessoa pensa ou idealiza para si. Por isso, esse componente é mais do que principal em nossas vidas – quando se fala na cor da roupa escolhida para vestir, na tonalidade escolhida para compor as paredes da casa, no desenho e tom do mobiliário, entre tantos outros momentos no qual a cor determina essa expressão.

O fato é que fornecedores do setor moveleiro, como fabricantes de painéis, revestimentos de papéis, laminados e tintas, procuram estudar os comportamentos de grupos e culturas, identificando macrotendências, que são traduzidas ou adequadas para seus produtos fins.

Para a Impress, fornecedora de papéis decorativos, a criação e desenvolvimento de um novo padrão passa, intrinsicamente, pelo trabalho com as cores. “A cor é uma ciência que precisa ser exata na hora de ser reproduzida. Por outro lado, é subjetiva, pois carrega muito do gosto das pessoas e da influência do mercado”, analisa Glaucia Binda, gerente de design e produto da companhia. Glaucia ressalta ainda que essa combinação estudos, referências e cores traz a essência que o produto deseja transmitir e representar.

“A cor é algo especial. É universal, está em toda a nossa volta”, diz Andrea Krause, gerente de marketing da área de indústria da Eucatex. Esse antagonismo no estilo de vida, aliás, já foi percebido pelas indústrias que compõem o universo moveleiro. Elas acompanham de perto os movimentos do consumidor para definir quais cores e padrões serão trabalhadas em seus produtos.

O céu é o limite quando se pensa em fontes para obter essas referências. “Nos baseamos em diversos mundos para criar novas cores – desde um pequeno detalhe de algo que nos chama a atenção até grandes tendências se movimentando ao redor do globo. O fundamental é contar essa história e fazer a correta leitura”, afirma Lourdes Manzanares, diretora de vendas e marketing da Interprint no Brasil.

Essa pesquisa também pode ter início na internet, que possui uma imensidão de informações sobre qualquer assunto. As feiras internacionais, como o Salão do Móvel de Milão, na Itália, ou a Interzum, na Alemanha, entre outros eventos, são consideradas verdadeiras vitrines das tendências que vão ganhar forma nos próximos meses ou anos. As diretrizes de cores da Pantone, por exemplo, também ditam movimentos importantes nesse sentido – vide o sucesso de cada cor que é apontada como trend a cada ano.

Observar o comportamento das demais indústrias, como moda e o setor automobilístico, além da própria natureza, podem e devem ser importantes instrumentos de consulta. “Isso proporciona conteúdo de qualidade para a avaliação sobre o estilo de vida das pessoas – como elas se relacionam, o que compram, o que gostam de fazer e como gostam de decorar suas casas”, enfatiza Sara Worms, designer da Schattdecor Brasil.

Até mesmo os profissionais que acompanham o comportamento do consumidor para especificar novos comportamentos, como os cool hunters ou os trend analysts, são importantes aliados para desenvolver novas cores. “Aliar o desenvolvimento do produto à pesquisa de cor compõe o casamento perfeito”, diz Eunice Monteiro, gerente de marketing da Formica®. Segundo ela, o Comitê Brasileiro de Cores (CBC) realiza em parceria com a empresa várias pesquisas sobre essas tendências.

As cores, detalham os especialistas, podem comunicar interações complexas de associação e simbolismo ou uma simples mensagem mais clara que as palavras. Para Renata Braga, gerente de marketing e produtos da Duratex, as inspirações podem ainda ser extraídas de diversos caminhos, incluindo um mix de tendências de arte, decoração, moda, entre outros.

E esse acompanhamento tem que ser uma constante, na visão da designer Sara Worms. “Isso é indispensável, pois os indivíduos têm a necessidade de se realizar por meio da aquisição de novos produtos.”

Atemporal x tendência

Nem sempre a cor da moda ou decoração se adequa à produção do mobiliário, de acordo com Simone Cotoski, coordenadora de desenvolvimento de produtos da Arauco. “Você não troca o móvel com tanta frequência, assim como faz com os acessórios de decoração, vide almofadas ou cortinas, por exemplo.” Ela cita a cor Marsala, apontada pela Pantone como a tonalidade de 2015. “Caiu muito bem para a moda, porém não acredito no potencial dela para os móveis. Por isso, desde o início, descartamos a possibilidade de desenvolver algum produto seguindo esse

caminho, pois atenderíamos um pequeno nicho de mercado.” O ideal, na visão dela, é estudar as tendências, porém, sempre buscando identificar se a cor terá aceitação no mercado.

Além das micro e macrotendências de consumo e dos comportamentos cultural e social já citados, Glaucia Binda destaca a maior fonte de inspiração para criação de lançamentos em papéis decorativos para o mobiliário: a natureza. As características das madeiras – ainda pouco explorada no Brasil, é verdade –, resultam em importantes estudos e interpretações para o desenvolvimento de papéis decorativos e do próprio mobiliário.

“É dentro desta perspectiva que lançamos frequentemente padrões que tenham inspiração ou referência ligada à moda, natureza ou alguma tendência de mercado. Tratamos de adaptar várias referências ao estilo de vida das pessoas”, salienta a profissional da Impress.

Lourdes, da Interprint, avalia a importância das cores nesse processo. “Quando criamos um padrão madeirado, a cor representa uma fatia relevante do processo, unindo o desenvolvimento da estrutura com toda a gama de cores. O produto não será um sucesso se não tiver cores bem resolvidas.”

As cores facilitam essa aproximação. Podem compor padrões que caracterizem uma madeira lavada, como é o caso do Santorini, da Duratex, ou com tons de bege quente com veios brancos, que deu vida ao Savona – ambos fazem parte da linha Design da fabricante de painéis de madeira. Esta variedade de estilos faz com que os fornecedores optem pela diversificação em seu mix de produtos,

ou seja, não há mais uma só madeira da moda, ou apenas uma cor do ano, ou sequer um estilo próprio como industrial, retrô ou contemporâneo.

Outro ponto que direciona o desenvolvimento dessas cores é o tempo de maturação e aceitação dos lançamentos da área de móveis e decoração, o que faz com que as empresas apostem, em grande parte, em cores atemporais e de fácil combinação com madeirados e demais elementos que componham o ambiente.

Simone Cotoski, da Arauco, por exemplo, detalha que a aposta da companhia recai sobre os lançamentos que transmitem sofisticação e elegância. “Por isso selecionamos cores fendis e tonalidades de cinzas, as quais se relacionam com todos os elementos que compõem o ambiente”, complementa. Recentemente, a empresa lançou o Gris, um padrão de cinza em tonalidade intermediária, levemente aquecido. “É atemporal, tem leve pigmentação e não é inteiramente chapado em uma única cor. Associado ao acabamento Chess, ganha ainda mais sofisticação”, salienta.

Por conta dessa atemporalidade, a paleta de cores das indústrias sofre alterações ou inserções dependendo de alguns movimentos do mercado. A Eucatex modifica sua paleta a cada ano. “Hoje trabalhamos com ciclos de vida menores e a cor tem um significado que pode estar associado a um modismo, é passageira ou veio para ficar”, diz Andrea Krause.

Tecnologia em cores

A tecnologia também se tornou uma importante aliada para dar vida aos projetos e ressaltar suas cores. Hoje é possível reproduzir uma infinidade de materiais, com semelhanças e características próximas aos produtos no seu aspecto “natural”, não somente com as madeiras, mas também com aço, concreto, pedras e tecidos, entre outros.

No segmento de tintas, a Sayerlack também expande a possibilidade de atender o mercado moveleiro com o sistema tintométrico Sayersystem, que detém uma biblioteca de quase cinco mil cores disponíveis. Totalmente automático, ganha destaque quando o assunto envolve os acabamentos para madeiras. “Recentemente lançamos uma paleta de cores metalizadas que podem ser produzidas no sistema”, diz Marcelo Cenacchi, diretor da Sayerlack.

Segundo a empresa, as cores produzidas são atóxicas, elaboradas em um curto espaço de tempo e em quantidades a partir de 900 ml. “Nossa aposta continua na diferenciação dos móveis por meio da pintura e as lacas coloridas são incomparáveis aos demais acabamentos, pois proporcionam excelente cobertura das mais diversas formas e acompanham todas as linhas de design”, ressalta.

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Quando se pensa na composição dos ambientes, é preciso ter certo equilíbrio nos elementos, incluindo o uso das cores que estarão presentes nas paredes, revestimentos, tecidos, tapetes e no próprio mobiliário.
Na quantidade certa, as paletas do momento – aquelas produzidas pelas indústrias ou apontadas pelas empresas especializadas na busca por tendências mundiais – podem garantir tempero interessante e música agradável. É isso que dizem os especialistas e especificadores ouvidos pelo Radar Móbile. Mas, para isso, o conhecimento é fundamental.

sse é o ponto crítico no uso das cores, registra a designer e consultora de cores,

Renata Rubim. Ela, que é uma das pioneiras no design de superfície no Brasil, à frente do escritório Renata Rubim Design & Cores (RRD&C), avalia que falta na indústria em geral um trabalho melhor embasado neste sentido. “Cheguei a trabalhar há alguns anos com a indústria de tapetes Tabacow e durante 15 anos com a Termolar, desenvolvendo e definindo as cores das linhas. Hoje os departamentos de criação de alguns setores industriais investem menos nisso”, pontua.

Renata indica, no entanto, que este não é o caso da moda e nem da indústria moveleira. Especialmente no caso dos laminados, diz ela, em que as tendências são internacionais. “E quando se produz os móveis coloridos para o mercado C e D, por exemplo, há uma desvalorização da capacidade do consumidor final, falta estudo. É preciso oferecer o melhor”, opina.

O arquiteto David Guerra credita a falta de estudo da cor – mesmo entre os designers de interiores e arquitetos – a uma falta de intimidade, explicada pela cultura recente e pela influência portuguesa do período colonial. “Portugal não tinha característica de formação de interiores como os franceses. Tudo era branco e os elementos decorativos entravam apenas nas portas e janelas”, remonta.

A situação começou a mudar, lembra o profissional que tem escritório em Belo Horizonte, quando se passou a buscar informações da indústria milanesa, o que se vê até hoje. E é de lá – berço da moda e do design – que chegam as principais tendências. Guerra é enfático ao afirmar, no entanto, que em seu trabalho ele segue as cores da natureza e que “não há natureza do momento”. Para ele, o mundo é naturalmente colorido e, quando há conhecimento, é possível se usar muitas cores sem que nenhuma se sobreponha à outra. Ele exemplifica com o ambiente que fez para a Casa Cor Minas Gerais em 2014: o apartamento do executivo.

Tudo azul

Os tons de azul utilizados no projeto do arquiteto mineiro são as grandes apostas de cores para 2016, segundo conta a especialista em tendências, Ruth Fingerhut. “O azul é uma cor queridinha do mundo. Um grande exemplo é o blue jeans que sempre vendeu mais. Todo mundo gosta de ter uma roupa, uma bolsa ou mesmo um elemento azul em casa”, justifica.

Em sua análise, ela também comenta que a cor sugere acolhimento e faz a analogia com os momentos turbulentos que se vive no País, com a crise econômica e na segurança pública. “Pelo que podemos ver nas previsões, as coisas devem começar a melhorar, por isso digo que o grupo dos azuis vai ser muito importante para 2016.”

Em relação à aplicação e uso das tendências, Ruth é cautelosa – é preciso entender em que tipo de negócio a cor conceito cabe, sugere a especialista. Como consultora de uma empresa de revestimentos, ela chegou a aconselhar o uso da Orquídea Radiante – cor do ano apontada pela Pantone em 2014, mas em menor escala, para ficar como opção de algum consumidor que quisesse utilizar como um detalhe em pastilhas de um banheiro, por exemplo. O uso indiscriminado, orienta, pode acontecer em indústrias de produtos com menor valor agregado ou vida útil menor. “A Melissa usa muito, mas lança várias coleções durante o ano”, exemplifica.

Atemporalidade

É com essa preocupação que a arquiteta Cristiane Steiger, do escritório Trefatto, de São Paulo, dosa as paletas da moda e as cores tendência nos projetos de ambientes que realiza. “Buscamos trabalhar com o espaço atemporal, usando cores neutras e colocando alguns pontos focais. Nosso conselho é colocar cor em alguns itens que você consegue mudar com facilidade”, comenta. Entre as ideias, além da tinta e do papel de parede, ela sugere o uso de uma cor do momento em almofadas, tapetes e cortinas. No mobiliário, ela pode aparecer em pufes, mesas laterais e cômodas. No projeto do quarto de dois meninos de idades diferentes, ela conta que o azul – o mesmo apontado por Ruth como tendência para 2016 – foi aplicado em uma estante.

Ela conta que a paleta de cores foi fundamental para dar a harmonia e a unidade que o projeto precisava, uma vez que os pais tinham o objetivo de colocar um menino de oito anos e um bebê no mesmo quarto. “Iniciar qualquer projeto de ambiente sem a definição das cores é um erro e um problema ainda maior para quem não vai utilizar os serviços de um arquiteto”, alerta, destacando que o principal objetivo dela e das suas duas sócias é deixar o cliente satisfeito com as escolhas por muito tempo. “A cor com a qual trabalhamos na madeira nos nichos é difícil de enjoar”, observa.

E a tendência para os ambientes infantis hoje em dia é a de usar cores fortes como os amarelos, vermelhos e azuis, observa a arquiteta de São Paulo. “Não quis apostar nelas porque isso contraria um pouco a vibração de tranquilidade que um quarto de bebê deve ter”. Renata Rubim também faz uma ressalva ao uso (ou abuso) das cores fortes. “Azul claro para o quarto é uma dica que eu não dou, algumas cores entristecem”, pontua e complementa: “mas pessoas sensíveis a cores não deveriam nunca exagerar no uso naqueles ambientes em que elas mais permanecem, por que elas vão ficar superestimuladas e isso nem sempre é positivo.”

O arquiteto David Guerra concorda ao afirmar que a cor “mal colocada é chata”. Em relação às tendências, ele afirma que é preciso tomar cuidado por que tudo o que é usado à exaustão também fica cansativo. E que cabe ao profissional saber utilizar os elementos com parcimônia. “Somos formadores de opinião, buscamos o elemento e o utilizamos se achamos que cabe no projeto. E cada projeto tem a sua identidade”, esclarece. “O que eu sempre faço é misturar tons quentes com tons frios, mesmo que os tons quentes sejam os básicos, como piso e forro de madeira”.
A diversidade, insiste o profissional mineiro, ajuda a não ser cansativo.

Ruth Fingerhut complementa que é necessário pensar além das cores conceito nos ambientes e buscar a harmonia na utilização dos espaços. “Cada espaço pede, sim, uma paleta de cores. Minha sala, por exemplo, tem um sofá laranja queimado. Adoro cor e sei que as cores quentes e confortáveis devem estar neste ambiente que eu utilizo para receber as pessoas”. A especialista em tendências reafirma que a cor não se usa em exagero, mas que a necessidade de acolhimento em casa e a integração dos ambientes favorecem cada vez mais a sua aplicação.

Mais especificamente sobre o trabalho de apontar tendências, Renata Rubim elogia também as indústrias de tintas que trabalham de forma embasada e ajudam a orientar profissionais que tenham uma visão menos apurada. Da mesma forma ela aponta que o espectro é muito amplo e existe espaço para todas as cores no design. “Ao mesmo tempo em que as cores vivas vêm sendo bastante utilizadas, as cores neutras e delicadas também aparecem, assim como as candy colors [tons nude e pastel que apareceram bastante na moda nos últimos tempos]”, enumera.

A designer enfatiza que as empresas acabam apostando em diferentes olhares e caminhos, mais ou menos do mesmo modo que segue a indústria da moda – de forma plural e democrática. “Sabemos que hoje cada pessoa pode se vestir da maneira que quer e que mais gosta e ninguém está errado. Tudo isso está muito ligado”, compara e prossegue: “A cor é fundamental em um trabalho – tanto ela como ausência dela. Bem escolhida, pode valorizar um trabalho fraco; e mal escolhida pode estragar um bom projeto. Ela é determinante para o sucesso ou fracasso de um produto”.

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O Projeto Conteúdo é uma iniciativa da Alternativa Editorial/Revista Móbile, especializada em comunicação para o setor moveleiro. Os temas abordados são relevantes e focados em tendências para o mobiliário, design de móveis e comportamento de consumo.

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