O jovem
“designer star”
é o Maker!

Os jovens talentos internacionais hoje se dividem entre o desejo de projetar e comercializar seus produtos nas grandes marcas que ditam tendências e deixar este elo intrinsecamente ligado ao passado industrial analógico para entrarem no novo mundo capitalista digital por meio da dimensão makers. Esta é definitivamente a nova fronteira para os jovens talentos.

Cenário

Não há um jovem designer de talento atualmente que não goste de ser chamado de “artesão digital”, ou maker, em inglês. Eles constituem um movimento cultural contemporâneo que representa uma extensão sobre uma base tecnológica do tradicional mundo DIY (do-it-yourself). Entre os interesses típicos deste grande grupo são realizações de objetos por meio da utilização da robótica, dispositivos como a impressora 3D e máquinas CNC que misturam com elementos trabalhados à mão em metal, madeira e muita origem artesanal.

É um fenômeno claramente vinculado ao momento de mudança de paradigmas históricos que estamos vivendo.
A Revolução Industrial inventou a produção de massa e a economia de escala e agora as impressoras 3D permitem a qualquer pessoa (os preços destes equipamentos estão cada vez mais baixos) produzir qualquer objeto, em casa, a custos baixíssimos. Sociedades gigantes, conglomerados mundiais e marcas de mobiliário que só têm o foco em evoluir tecnologicamente a sua “linha produtiva” e não a criativa estão com os dias contados... E, neste cenário, tanto a fabricação como a venda deste mobiliário “maker” acontece por meio de canais não tradicionais, como a venda e-commerce, em sites como o formabilio.com, por exemplo.

Qual a
sua origem?

Morando no centro do Design Made in Italy, na capital Milão, não posso deixar de comentar o que tenho visto no meu coolhunting diário pelas feiras, eventos, mostras e showrooms deste setor, e assim trago três profissionais que considero destaques dos últimos seis meses. Nomes que certamente irão de alguma forma brilhar com mais força em breve.

Não poderia deixar de citar nesta parte o grande portal de onde saem estes novos nomes, que é o SaloneSatellite, conduzido com grande paixão pela visionária Marva Griffin, que há mais de 18 anos acolhe jovens designers (até 35 anos) com a visibilidade que somente uma feira como esta pode dar. Não podemos esquecer que destes stands passaram nomes que hoje são ancorados de forma muito forte no establishment do design como Matali Crasset, Nendo, Daniel Rybakken e Francesco Faccin, somente para citar alguns e que foram, após suas aparições ali, selecionados pelos players que são o “sonho de consumo” de qualquer jovem designer.

Principais
características
destes jovens designers

Basicamente identifico algumas características em comum na análise que realizei sobre estes jovens designers de potencial sucesso e claramente estão vinculadas ao seu percurso de vivências contemporâneo.

Não podemos esquecer que ao tratarmos deste grupo, estamos quase sempre nos referindo a jovens que nasceram na cultura digital, veem seu nomadismo como um meio positivo de criar experiências construtivas com outras culturas, acreditam que o manifesto da Bauhaus responsável pelo boom do design industrial da época de seus avós, deveria retornar às suas raízes, ou seja, ser realizado para o bem do grupo social e não do indivíduo. Fora estes conceitos comportamentais de base, em nível de projeto/produto existem basicamente três grandes drivers projetuais em suas criações:

Criam produtos com conteúdo estético original da própria cultura tradicional, sendo muito orgulhosos de suas origens. Exemplo disto foi a lâmpada Cloud, inspirada as formas das nuvens reproduzidas das esculturas de pedra dos antigos jardins reais chineses O grupo Xuberance, de Bund em Shanghai, as realizou graças a impressora 3D.

Os materiais escolhidos situam-se sempre em um mix de alta tecnologia com origens primárias (madeira, metal, pedra e cerâmica em estado quase bruto) como vimos em Mapuguaquèn de Documentary Design, que combinam as técnicas de trabalho em cerâmica com a tecnologia wireless.

Preferem colocar no mundo suas criações sempre por meio de grupos denominados “coletivos criativos”, que podem ser classificados como associações entre pessoas de profissões similares, ou diferentes, dentro da economia criativa (músicos, fotógrafos, designers, entre tantos outros profissionais), com o objetivo comum de desenvolver projetos e o cenário artístico-cultural de determinada região. Um exemplo veremos a seguir, com Clique e Mingardo, por exemplo.

Meus destaques

Tenho uma lista infinita - todos os dias vejo dois ou três designers jovens sobre os quais gostaria de tratar por aqui - mas vou focalizar em três que acho muito interessantes: Daniele Mingardo, coletivo Clique e Francesco Faccin.

DANIELE MINGARDO:
Designer Faber

O designer maker Daniele Mingardo, que por meio da direção artística de Aldo Parisotto, ficou conhecido pela proposta Designer Faber (coletivo criativo com mais seis designers), sua primeira coleção de design em edição limitada e numerada, recentemente apresentada na Milano Design Week, que transformou em uma linguagem contemporânea uma longa tradição de oficina metálica com objetos e complementos para os interiores. A forma estética segue um minimalismo matérico que exalta as características dos metais utilizados, como ferro, ozone e cobre, junto da madeira.

CLIQUE:
Artesanato eletrônico

Já o coletivo Clique, composto pelos criativos Claudio Larcher, Filippo Protasoni e Simone Simonelli, nasceu para promover um artesanato que possa integrar dispositivos elétricos e eletrônicos. Desta união nasceram peças originais no limite entre hi-tech, mobiliário e escultura como a ‘coffee table’ Rocchetto ou o umidificador a ultra-som Cimmy.

FRANCESCO FACCIN:
Do maker ao player

Darei destaque ao já conhecido, porém ainda jovem Francesco Faccin, pois sua história mistura as características elencadas junto de um belíssimo percurso. Em 2003, começou a trabalhar no estúdio do grande maestro do design italiano Enzo Mari e contemporaneamente ampliou a sua atividade como designer independente colaborando com empresas italianas e estrangeiras.

A partir de 2004 elaborou projetos auto-produzidos em pequena série trabalhando em contato direto com artesãos de forma a controlar pessoalmente todas as fases do desenvolvimento de um produto. Neste momento, ele iniciou uma incrível parceria com o modelista e liutaio (termo usado para identificar os fabricantes de violino em todo o mundo) Francesco Rivolta.

Em 2007 participou pela primeira vez ao Salone Satellite com a mesa “Quadrato” que entrou em produção e foi selecionada para a coleção permanente da Cosmit. Em 2009 encontrou mais um grande maestro, desta vez Michele De Lucchi com quem iniciou uma parceria e em 2010 participou do SaloneSatellite pela segunda vez e venceu o Design Report Award 2010. Desta data para cá começou a colecionar um sucesso atrás do outro e aliou a isso à sua docência no curso “Industrial Design” na prestigiosa NABA di Milano com um curso de Product Design intitulado “Progetti non Oggetti”.

Em 2012 foi convidado pela ONG “Liveinslums” para projetar as instalações da “why not academy” de Nairobi, em seguida desenhou os interiores do restaurante ”28 Posti” aqui de Milão, fazendo todos os interiores com os detentos do cárcere de Bollate e foi descoberto então pelas empresas Saeco, Danese, Miniforms, Bolia, Valsecchi1918 e Officinan ove onde até hoje atua.

Ou seja, não é um designer que buscou apenas o sucesso de “seus produtos e idéias”mas sim, de como fazer com que estes elementos também tivessem um eco social e sustentável no próprio território. Aliás, é o que vai diferenciar os “designers star” que conhecemos infelizmente muito bem, daqueles que realmente realizam aquilo que Gropius na Bauhaus - e depois dele tantos maestros do Design Made in Italy - fazem: design realmente democrático.

Planejando
o futuro

Todos os dias novos designers invadem o mercado. É preciso dominar uma série de competências para se estabelecer na profissão

esmo despercebido por muitos, o design tem papel importante no dia a dia da sociedade. Aspectos comuns

da vida cotidiana, como placas de sinalização, instrumentos de trabalho, mobília, tudo conta com o toque de um profissional especializado em observar os consumidores e, a partir da coleta de dados, criar produtos que correspondam às expectativas do público.

Ao falar do profissional de design, o leque atinge amplitudes inimagináveis, abrangendo questões que vão além da prática do ofício e implicam em discussões de contextos globais em que esses sujeitos podem estar inseridos. É um profissional em constante mudança e que deve acompanhar a fluência do mundo em que vive.

De acordo com o Diagnóstico do Design Brasileiro, estudo publicado no ano passado pelo Centro Brasil Design (CBD), o profissional designer passa a ser compreendido como resultante do processo do debate que envolve as necessidades do mercado e da sociedade; as atribuições legitimadas pela prática da profissão (perfil profissional atual); as atribuições desejáveis a serem incorporadas pela profissão (perfil profissional do futuro).

O novo designer

Multidisciplinaridade e empatia são as palavras-chave. Hoje, o design deixou de ser pensado por apenas uma pessoa e atingiu o consciente coletivo. Integrar diversos profissionais de áreas distintas e possibilitar a criação com foco no usuário é o que permite o surgimento de inovação e novidades que realmente façam a diferença na vida das pessoas. “O designer não trabalha sozinho. Se trabalha, tem pouco sucesso”, explica a coordenadora de marketing e design da Schattdecor, Sara Worms. Ela diz que é comum ver projetos descartados na fase de prototipagem por serem considerados inviáveis; situação que poderia ser evitada se consultados outros envolvidos durante o processo de elaboração.

O designer atual deve buscar conhecimento em diferentes áreas e estar atento aos movimentos de todos os lados. Tudo é informação e tudo pode ser aproveitado de alguma forma. Hoje é comum encontrar equipes mistas pensando o desenvolvimento de produtos e designers inseridos em organizações fora dos contextos iniciais propostos pela profissão. Buscar áreas estratégicas, conhecer a indústria,

os processos econômicos e locais, enfim, ir além da prancheta e do desenho. “O designer é pouco focado em entender economia e hoje sem economia não dá para saber onde se está pisando”, exemplifica a supervisora do curso de design de interiores do Centro Europeu, Katalin Stammer.

Profissionais com conhecimento amplo, abertos às novidades, com menos paradigmas e com vontade de trabalhar mesmo antes da conclusão dos estudos são a pedida do mercado. “É importante que os novos designers comecem logo a trabalhar, acumulem experiências práticas. Esperar a formação para entrar no mercado prejudica muito a postura profissional e a compreensão de como os designers podem contribuir nos negócios”, reitera Sara, da Schattdecor.

A sala de aula ainda é um local importante. Segundo dados do CBD, o Brasil conta com mais de 540 cursos de design atualmente e oferece opções em diversas áreas do segmento, possibilitando a formação de profissionais em diferentes áreas de atuação. No entanto, apenas a formação acadêmica não basta. Os conceitos básicos e conhecimentos técnicos são passados na academia, mas chegam ao aluno de forma

segmentada. “Não sei se é defeito da estrutura dos cursos de design ou uma incompatibilidade de gerações. Recebo egressos sempre com o olhar de que ainda precisam de uma boa lapidação”, diz o diretor de produção da Megabox Design, Aguillar Selhorst.

Para o International Council of Societies of Industrial Design (ICSID) o perfil profissional do designer deve descobrir e avaliar relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas de seus projetos, considerando conceitos de ética global, social e cultural, além de abordar aspectos semióticos e estéticos.

A partir dessas considerações, pode-se determinar que é papel do designer: pesquisar, organizar e sistematizar dados e informações; utilizar procedimentos metodológicos para o desenvolvimento do trabalho; desenvolver projetos, processos, sistemas e soluções; buscar informações em diferentes áreas e aplicá-las em seu trabalho; gerenciar projetos; expressar ideias de maneira visual e interativa e conciliar os interesses dos stakeholders em relação ao projeto que está sendo desenvolvido.

Indústria e processos

Ao falar de design de produtos, além do projeto, é imprescindível compreender como funciona o processo fabril, quais as matérias-primas utilizadas e conhecer as possibilidades oferecidas pela indústria. De nada adianta criar um projeto que não pode sair do papel por não haver maneira de ser produzido; seja pela inexistência dos processos necessários no local à disposição, pela dificuldade de se encontrar insumos e até mesmo por problemas logísticos que possam inviabilizar a produção.

Estar integrado com equipes da linha de produção permite estabelecer guias para o desenvolvimento de projetos, otimizando tanto a parte criativa do processo quanto a fabricação propriamente dita, visto que se estabelece uma visão holística da produção. Dessa maneira, além de sempre haver a possibilidade de gerar inovação, cria-se produtos que podem, de fato, fazer parte do chão de fábrica. “O profissional consegue desenvolver algo que vai ser muito mais possível de ser fabricado e muito mais otimizado a partir do que a indústria disponibiliza em seu processo produtivo. Vai otimizar o tempo de fabricação e reduzir tudo que gera

desperdício”, aponta a especialista em serviços técnicos e inovação do Senai Arapongas, Claudia Lens.

Com essa integração, a indústria ultrapassa a barreira produtiva e consegue ter melhores resultados financeiros. Produção otimizada significa melhor aproveitamento dos insumos e dos recursos humanos e tecnológicos.

No caso de um designer autônomo, esse conhecimento é tão ou até mais importante. Esse profissional lidará, geralmente, com várias indústrias e fornecedores, porque peças diferentes pedem linhas de produção distintas e, muitas vezes, o designer não limita-se a criar em apenas um segmento. É necessário ter uma boa rede de contatos e conhecer os fornecedores envolvidos no processo; ter noção da indústria local e como pode ser aproveitada; saber quais são as matérias-primas disponíveis.

Também é preciso saber quais são as limitações geográficas. É viável produzir em outra cidade? Em outro Estado? A questão logística é crucial, visto que impacta diretamente no custo de realização do projeto. “E não adianta pensar design sem pensar design de embalagem. Uma caixa do tamanho de um container? Não dá. Até onde você quer que o produto chegue?”, provoca Katalin Stammer.

Pesquisa e postura

A conta é simples: um designer talentoso somado ao preparo exigido pelo mercado é igual a um profissional que prosperará. E isso é fundamental para o reconhecimento. Katalin comenta que o cliente tem todas as ferramentas para não precisar do designer. As referências estão em todos os lugares, a internet oferece boas ferramentas de pesquisa e é fácil encontrar quem execute o projeto. Mas o que é um projeto? “É uma composição de ideias, um banco de dados. A forma como se busca e se traz isso para o cliente é o diferencial”, frisa Katalin.

Ela afirma que o domínio da pesquisa é fundamental. Essa é a principal ferramenta do designer, que precisa encontrar as referências e inspirações que irão compor seu conhecimento pessoal e profissional. “É o pulo do gato”, brinca. Segundo ela, estar ligado às tendências e aprender a pesquisar são as grandes sacadas da profissão.

Cultura geral, acompanhar os movimentos mundiais e ter diversas fontes de informação também ajudam a aumentar a bagagem. É uma pessoa que precisa ler, falar outro idioma e consumir conhecimento incansavelmente. “O repertório mais amplo contribui bastante para que se possa fazer outras associações, buscar novas ideias,

mais inovação. Ao ficar muito fechado não se tem outras referências e não amplia a possibilidade de trabalho”, comenta Sara Worms.

Esse envolvimento também pede que haja postura profissional e entendimento do cliente. Estar preparado para lidar com entraves burocráticos do cotidiano, abrir uma empresa, oferecer documentação formal, também são fatores importantes para obter sucesso na área. “É um serviço que se presta e que precisa de um mínimo de estrutura, uma apresentação padrão. É preciso saber como formalizar o negócio”, lembra Katalin, do Centro Europeu.

Confira algumas características importantes para o sucesso de um designer, segundo estudos e profissionais da área:

Capacidade de trabalhar em equipe
Conhecimento de outros idiomas
Busca por prêmios e concursos
Entender processos e materiais
Conhecer a realidade local
Experiência de trabalho
Poder de argumentação
Inteligência emocional
Multidisciplinaridade
Domínio da pesquisa
Repertório amplo
Gestão de tempo
Flexibilidade
Empatia

No estudo realizado pelo CBD são abordadas as características e necessidades do mercado e sociedade atuais. Veja quais são e como o profissional de design deve estar preparado para atendê-las:

Amplitude e Profundidade: Estudo e Prática Multidisciplinar e Metadisciplinar

Escopo Expandido: Escala e Complexidade em Problemas do Design

Foco no Bem estar

Mensagens Direcionadas: Uma Definição Restrita de Públicos

Rompimento: Uma “Economia da Atenção”

Da Individualidade à Conectividade

Resultados Responsáveis: Focando na Sustentabilidade

Partilha de Experiências: Um Modelo de Cocriação

Design para Todos

O Radar conversou com a diretora do CBD, Ana Brum, sobre o que o mercado espera de um jovem designer. Conhecimento de outras áreas, engajamento e inovação são características fundamentais para triunfar na profissão.

Como o jovem designer deve buscar sua inserção no mercado?
É preciso estar inserido no mercado desde a graduação. Deve se inscrever em concursos. Um prêmio faz alcançar vários degraus acima dos concorrentes. É importante falar outro idioma, participar de eventos, workshops, seminários. A diferença é o envolvimento.

Quais características são importantes para um designer de sucesso?
Interdisciplinaridade. Quando não consegue articular com outros profissionais, se só for criativo, não é um profissional completo. É preciso se atualizar constantemente em requisitos funcionais, novos materiais, novos usos.

Falar de design inclusivo. Precisa surpreender com informações técnicas menos óbvias. Falar de multifuncionalidades, peças intercambiáveis. São argumentos mais modernos e que as tendências atuais exigem que se construa e coloque nos produtos.

De que maneira a indústria pode se beneficiar desse profissional?
Queremos que a indústria utilize cada vez mais a ferramenta do design. Recomendamos que nesse momento realmente haja um processo de imersão desse profissional. Quando o designer faz esse trabalho de imersão, acabam aparecendo soluções muito mais inovadores e factíveis.

Jovens talentos em Exposição

Iniciativas como a Mostra Jovens Designers e o Salão Design dão visibilidade a estudantes e profissionais recém-formados que buscam por um espaço no concorrido mercado do design de mobiliário

promoção do design brasileiro sempre foi uma meta para Auresnede Pires Stephan, mais conhecido

como Prof. Eddy. Foi pensando nisso que ele criou, há oito anos, a Mostra Jovens Designers, da qual atualmente é curador. Aluno da primeira turma formal de design do País, ele sempre demonstrou interesse no trabalho dos estudantes, dedicando-se a promover o trabalho deles e criar uma vitrine para o mercado.

Segundo a produtora cultural da Origem Produções, organizadora da Mostra, Andressa Sirino, esse trabalho envolve análise de pontos como ergonomia, forma, funcionalidade, impacto ambiental, perspectiva mercadológica, relação custo-benefício, viabilidade de produção e qualidade do protótipo.

“Esse ano, como tivemos o patrocínio da Deca, entregamos o Prêmio Deca de Design Sustentável, que teve critérios de avaliação um pouco diferentes e o jurado convidado Christian Ullmann”, aponta. A mesa de jurados ainda incluiu Prof. Eddy, Levi Girardi (Questto Nó), Miriam Lerner (Museu da Casa Brasileira), Roselie Lemos (Centro Design Catarina), Luciene Torres (Centro Pernambucano de Design) e Ana Lúcia de Lima Pontes Orlovitz (Deca).

Presença internacional

Esse ano, além de realizar a Mostra na Bienal Brasileira de Design, em Florianópolis (SC), o projeto teve sua segunda participação no iSaloni.

De acordo com Andressa, a seleção dos protótipos foi realizada pelo próprio júri da Mostra. “Tivemos uma grande visibilidade. Prêmios internacionais passaram para convidar os estudantes e
algumas empresas entraram em contato conosco”, comenta.

Os resultados já estão sendo percebidos. Por meio de uma parceria com o Desafio de Design Odebrecht Braskem, a exposição, realizada no Shopping Iguatemi, conta com um aplicativo para dispositivos móveis.

Visibilidade educativa

Andressa observa que o trabalho de promoção do design também envolve iniciativas educacionais. Em uma parceria com o Prof. Célio Teodorico dos Santos, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a Mostra Jovens Designers promoveu uma palestra com o designer Sérgio J. Matos e realizou um bate-papo com participantes.

Além dessa iniciativa, também estão sendo preparadas ações para o Ensino Fundamental. “As turmas podem visitar a exposição e estamos editando uma apostila educativa que os professores podem usar em sala de aula”, complementa.

Salão Design

Marcelo Rosenbaum, Zanini de Zanine e Guto Indio da Costa. Esses são apenas alguns dos nomes que já tiveram produtos selecionados para o Salão Design. O prêmio, organizado pelo Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), chega a sua 19ª edição com o intuito de incentivar criatividade, empreendedorismo e inovação tecnológica.

“Queremos que esse seja um prêmio com uma colocação no mercado. O produto não pode ser somente algo com um belo design, mas que possa ser comercializado”, afirma a diretora do Salão Design, Cristiane Silveira.

Uma das principais características dos selecionados é que, em conjunto, eles demonstram as principais tendências que devem ditar os rumos da indústria nacional nos próximos anos. Ainda assim, as escolhas não se limitam aos jovens designers brasileiros, sendo que participantes de toda a América Latina costumam ter destaque.

Cristiane aponta que, entre os produtos selecionados esse ano, muitos fazem uso da madeira e de materiais recicláveis, demonstrando grande preocupação com o meio ambiente. “São produtos mais atemporais. Diminuiu um pouco a questão do lúdico e os participantes começaram a enviar produtos com formas mais atemporais e materiais reciclados”, analisa.

Design Weekend e Casa Brasil

Entre as principais novidades do Salão Design está a realização em São Paulo, como parte da programação do DW! Design Weekend. O público esperado envolve designers, arquitetos, artistas, empresários e fabricantes.

“Nós visualizamos isso como algo muito bom, um sinal de crescimento tanto para nós quanto para o designer que estiver participando, pois ele vai estar em um local maior, em um evento onde se respira design”, comemora Cristiane.

Em 2016, o Salão Design deve apresentar ainda mais surpresas. Cristiane relata que a premiação acontecerá durante a feira Movelsul, que acontece de 14 a 18 de março. Além disso, a exposição terá uma réplica na Casa Brasil, evento que passará a acontecer juntamente com o DW! Design Weekend. “Nos próximos anos, vamos ver como procederá”, comenta a diretora.

Outras possibilidades

Além das mostras nacionais, premiações fora do País também são uma boa opção para estudantes em busca de visibilidade e reconhecimento. É o que aponta a coordenadora de projetos do Centro Brasil Design (CBD), Juliana Buso.

Desde 2009, o CBD possui uma parceria com o iF Design Award, um dos mais importantes prêmios para o setor, que acontece ininterruptamente desde 1953. Juliana explica que todos os interessados em participar podem se inscrever diretamente no site da premiação, contudo, o Centro está disponível como escritório representativo para esclarecer dúvidas e prestar assessoria.

“Para o pós-premiação, nós temos uma assessoria de imprensa nacional que divulga os premiados durante o ano inteiro”, relata a coordenadora. No último ano, o trabalho foi grande: foram 43 projetos brasileiros premiados, um recorde brasileiro que ainda incluiu seis iF Gold Awards, que é o troféu máximo do prêmio. “Esse resultado gerou bastante repercussão na mídia”, comemora.

Entre os estudantes premiados, o Brasil fez sua primeira participação em três anos com o projeto Razor, de Carlos Alberto de Melo Jr. e Ana Carolina Lino Buissa, alunos do curso de Design de Produto da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo Juliana, existem muitos prêmios de design, mas os interessados devem ter critérios antes de se inscreverem, observando, por exemplo, há quanto tempo a premiação está no mercado. “É preciso analisar os critérios de avaliação, como é o júri do prêmio, se é um júri internacional, se a mesa muda todos os anos e se o prêmio tem um reconhecimento internacional”, enumera.

Ela ainda aponta que a visibilidade de um prêmio de design é muito grande, principalmente pela publicidade espontânea que é gerada e pelo reconhecimento. “O iF não cobra a inscrição dos estudantes e dá uma premiação em dinheiro de 30 mil euros. Para os profissionais é diferente, precisando pagar a participação”, exemplifica como uma vantagem.

O prêmio
dos prêmios

Para quem já não é mais estudante, a participação em prêmios pode levar a mais um reconhecimento, o Brasil Design Award (BDA), um projeto do CBD em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesign). De acordo com Juliana, ele homenageia projetos que já foram reconhecidos em outras premiações, funcionando com um sistema de ranking.

Qual a cara da
nova geração do design?

Conheça o perfil de alguns profissionais que representam as diversas facetas do design contemporâneo nacional

m tempos de um design pensado e feito no Brasil crescendo a olhos vistos, acompanhado de

um reconhecimento internacional, pode-se dizer que o País está com sua autoestima reforçada e novos designers brasileiros vão ocupando cada vez mais espaço no panorama nacional e internacional.

Internamente essa boa saúde da produção nacional motiva os profissionais, a partir do enfoque em seu trabalho, a apresentar produções cada vez mais genuínas. Mas que nomes caracterizam a cara e o DNA brasileiro no design?

Com a diversidade cultural do País e as inúmeras possibilidades que esse mercado oferece fica difícil dizer que a “nova geração” tem uma cara única. Porém a interdisciplinaridade, a brasilidade, as pontes com a indústria e o mercado, além da sustentabilidade e a indissociação com a função social parecem elementos chaves para compreender o cenário.

Carolina Falcão
Design derivado de pesquisa

A jovem designer Carolina Falcão ganhou destaque em prêmios nacionais e internacionais com a Nidus, uma cama hospitalar para crianças. Com uma formação profissional sempre cruzando o caminho da engenharia, a pesquisa profundo caracteriza o seu trabalho.

Para fazer a peça, a designer invadiu os campos da psicologia para compreender as crianças internadas, escutou-as e seus pais, além de falar com fabricantes, compradores do Sistema Único de Saúde, profissionais que realizam a limpeza de mobiliário hospitalar, entre outras etapas. “Acho que a função primeira é sempre pensar no usuário e propor soluções viáveis”, diz.

Coletivo GAMB
Design transformador

Interdisciplinar, multifacetado, colaborativo, social e sustentável são alguns dos predicados que permeiam as frentes de trabalho do Coletivo GAMB, que surgiu no fim de 2013 justamente com a ideia de explorar as inúmeras possibilidades e oportunidades que apareciam no caminho de seus integrantes.

“Gostamos de desafios”, explica Filipe Vaz, que, junto com Plínio Calil, cria mobiliário, projetos de arquitetura, restaura e encontra tempo para sensibilizar crianças e comunidades para “o fazer manual”, característica tão forte no design nacional. “Para serem atores sociais e verem que a marcenaria é um caminho para realizar o que quiserem”.

Vaz é engenheiro ambiental, Calil é designer. E no mobiliário, além da marcenaria, imprimem a marca de resignificação de objetos. “Recebemos muitas encomendas, mas estamos fazendo cada vez mais por nós mesmos, pela liberdade de produção”.

Madeira reutilizável e certificada, além do uso de apenas ceras e óleos naturais marcam os projetos, além da colaboração de todos. Com o Ateliê em Rede, trabalham em espaço colaborativo, com outros marceneiros, costureiros, pintores... “Cada um tem seus projetos, mas é comum trabalharmos em conjunto”.

Flávio Franco
Design honesto

Para o arquiteto Flavio Franco, o retrato desse momento do design brasileiro pode ser descrito pela honestidade. “Vemos criações puras, inventivas e que vem sendo reconhecidas e premiadas mundialmente”, conta o profissional que há três anos cria mobiliário e viu suas peças ganharem destaque dessa forma.

“O brasileiro que representa essa época não é só o da madeira, do artesanato e da palha. Há novos materiais e formas de pensar o design; e os prêmios são importantes para que os lojistas – que são quem escoam a produção – perceberem de uma forma diferente o que consideram não convencionais”, comenta.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco em 2000. No final de 2012, lançou a sua primeira linha de mobiliário, sendo convidado para exposições como “Do moderno ao contemporâneo – design brasileiro de móveis”, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e Brasil S/A, em Milão

O que o inspira? “As pessoas. Gosto de brincar com a curiosidade, criar sensações. De explorar o equilíbrio e a resistência dos materiais, que tem a ver com a minha ligação com a arquitetura.

Vanessa Martins
Design afinado com o mercado

Também formada em Arquitetura e Urbanismo e experiência na área de construção civil, o trabalho da designer Vanessa Martins na criação de móveis e tapeçarias esteve sempre relacionado com a Salvatore, pertencente ao grupo Minuano.

Designer exclusiva da marca, ela comenta que essa proximidade é uma oportunidade única de conhecer todo o processo, da matéria-prima à colocação no mercado.

Ela acredita que hoje os profissionais vêm cada vez mais com essa característica de entender as dificuldades e possibilidades da indústria, superando-se em produtos criativos e acessíveis.

O outro lado também é positivo. A abertura das indústrias para trabalhar em parceria com designers permite a criação de uma identidade e o “risco” maior em combinação de cores, uso de acessórios e mix de materiais, pois as escolhas passam a ser melhor fundamentadas. “Trouxe para Salvatore minha bagagem da moda para utilizar detalhes, fechos, ferragens, barbicachos, cromados e dourados entre outros elementos em peças que antes não recebiam isso”, comenta.

Yan Soares
Design corajoso e irreverente

A Ebro foi inspirada em um quadro de Pablo Picasso e ganhou o prêmio Bronze no A’Design Award em Milão desse ano. Yan Soares, o designer, diz que sua principal influência é a irreverência. “Acredito no potencial da subversão para mudar a forma de como as pessoas interagem com os objetos e nesse aspecto, busco muita referência no design conceitual”.

Ele o momento do design nacional com uma exclamada “coragem”. “Essa geração de pessoas conectadas está dando valor ao próprio potencial criativo. Os novos profissionais dão a cara à tapa o uso massivo da internet facilita o intercâmbio de ideias e melhora a divulgação de novos projetos”, diz.

Cadu Silva
Design da brasilidade

Peças carregadas de detalhes que trazem simbolismo e contam histórias é o que caracteriza o trabalho de Cadu Silva. Na Paralela Móvel, feira de design que aconteceu em fevereiro, em São Paulo, o designer mostrou na capital pela primeira vez seu trabalho em um evento do setor.

Ele começou a trajetória na área em 2012, depois de sair da faculdade de design de produto, em Curitiba. “Entrei no curso pensando em desenhar carro, mas depois que uma professora me apresentou o trabalho de nomes do design nacional, como Sergio Rodrigues eu percebi que era isso [mobiliário] que eu gostaria de fazer”, conta.

Com algumas peças na bagagem, sempre se inspirando “no entorno”, o Brasil com certeza aparece nos detalhes. A poltrona a Rita Baiana, por exemplo, surgiu de um pensamento de o que seria algo legitimamente brasileiro e trouxe um elemento que é comum quase em todo o Pais: a rede.

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