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Um mundo
de possibilidades

Tendências apontam mudanças recentes em cores e projeções para o futuro.

 

egundo a Pantone Brasil, a cor é o catalisador que pode definir uma venda e alterar o espaço. No

processo de criação e desenvolvimento de qualquer produto, saber quais cores usar é fundamental para o sucesso. Assim, sai na frente a empresa que consegue prever e se adaptar às novas cores e padrões apresentados ou, ainda, ousar em cima do que é lançado como tendência.

"Estamos em uma fase no mercado em que os profissionais vem se desprendendo dos padrões de criação, ousando um pouco mais. Reflexos disso são as tendências coloridas que chegaram com força total no ano passado, tanto para móveis como para o restante da decoração", explica a designer de interiores, Júlia Varaschin.

Mudanças à vista

Segundo a gerente de design de produto da Impress Decor Brasil, Gláucia Binda, as mudanças são pautadas em conceitos de comportamento ou macrotêndencias. "Quando desenvolvemos um padrão madeirado rústico, mostrando rachaduras e defeitos, é porque o momento pede por elementos com aparência mais natural", aponta e completa: "As mudanças recentes em nosso setor – e em muitos outros – são de que as tendências não são criadas por acaso. Elas são apenas detectadas e traduzidas em forma de produtos".

Já a Schattdecor, através de constantes observações, vê que as mudanças das tendências não tem a hipersazonalidade de anteriormente. "As análises apontam para destaques mais atemporais e que fogem de rótulos e esteriótipos", diz a responsável pelo marketing da empresa, Ana Cláudia Marques.

Ela observa que o mercado decorativo se tornou, ao longo dos anos, mais diversificado e variado, de modo que a individualização dos ambientes não mais se limita apenas aos móveis, podendo ser encontrada em cada detalhe dos elementos que compõem a casa. "Além disso, existe um claro desejo do mercado por mudanças.", diz.

 
 

De acordo com ela, apesar do país ainda ser muito influente em tomadas de decisões relacionadas a este mercado, a Itália, agora, divide esse espaço com Inglaterra, Escandinávia e Alemanha, além das referências e preferências locais, gerando diversidade.

 

O que o mercado
aceita e o que não

Na decoração atual, segundo Júlia Varaschin, contemporâneo é misturado com retrô, transparente com cores, cores fortes com cores neutras, alumínio com madeira. "Não existe o que não é mais aceito no mercado, desde que o profissional saiba usar o que tem de possibilidades. É tudo uma questão de estilo e criatividade, mas nada mais é descartado".

De maneira geral, os consumidores procuram por soluções diferentes e esperam ser surpreendidos. "O que antes era padronizado não funciona mais e não voltará mais a ser destaque. As pessoas buscam individualidade e isto se dá através do reconhecimento pelas escolhas tomadas ao consumir", afirma Ana Cláudia.

 

"Outro ponto relevante que devemos levar em conta é que as pessoas não estão dispostas a trocar algo que já possuem por produtos que aparentem ser de menor qualidade ou não apresentem revelada percepção de valor", complementa Ana Cláudia.

Segundo ela, devido a experiências negativas, aspectos como a artificialidade podem ser facilmente entendidos como uma mentira declarada ou um sinônimo de produto menos qualificado. "Como resultado, temos a valorização de desenhos e padrões naturais ou rústicos, percebidos pelo mercado atualmente como um material de qualidade e maior resistência", aponta.

Cores, texturas e
percepções táteis

Segundo Gláucia, o uso das cores depende do estilo de cada ambiente ou consumidor. Para o setor moveleiro, ela relata que as mais utilizadas são as cores neutras que combinam com madeirados. Ela também pondera: "Porém, para uma proposta de móvel mais ousado e moderno, as cores vibrantes cumprem bem seu papel. O ideal é que as cores possam transmitir conforto visual ao ambiente e que sempre sejam harmonizadas entre si e com outros materiais". Com relação a padrões, os grandes protagonistas da temporada estão em três vertentes distintas: os metais polidos ou desgastados; os madeirados de aparência natural com muito contraste; e os tecidos mais rústicos ou couro.

Por sua vez, Júlia Varaschin aponta que todas as cores são utilizadas na decoração, porém, em 2014, amarelo, verde, azul e os tons rosados e arroxeados estão em destaque no mercado atual. "Nas texturas, materiais e técnicas nacionais – como sisal, tricô e renda – têm se destacado não só no Brasil, mas em outros países", diz.

Segundo ela, papéis de parede aparecem com diversas texturas. "Já os porcelanatos se destacam não apenas pela qualidade, mas também pela alta definição das padronagens, que permitem deixar o revestimento com aparência de madeira, mármore ou até estampas similares ao papel de parede, tudo com extrema perfeição".

á Ana Cláudia, da Schattdecor, comenta que, para móveis, a suavidade e a calma dos padrões

esbranquiçados em madeiras, como Pine e Larch, lembram o estilo escandinavo, junto a tons pastel, cores suaves e tranquilas.

Ela ainda revela que a aparência autêntica de padrões madeirados, em tonalidades naturais, permanece muito requisitada, especialmente do carvalhos. Junto a eles, apresentam-se

normalmente cores mais vibrantes e intensas como amarelos, corais e variações do tom de azul.

Além disso, os madeirados escuros podem ser encontrados em diferentes composições com tons sóbrios, resultando em uma simplicidade elegante. Metais cobreados oxidados e matizes que variam dentro da escala de laranjas e vermelhos harmonizam-se, assim, com os cinzas, azuis e materiais como o concreto.

 

Novidades em padrões e acabamentos

Possibilidades sensoriais proporcionadas pela tecnologia aplicada à madeira, como tato e visão, são realidade em painéis e no mobiliário

Por MARINA WERNECK DE CAPISTRANO

tecnologia aplicada – principalmente em painéis – está cada vez mais voltada para o que o consumidor

vai sentir e o que o motiva em ter o produto em sua residência. "Nós estamos em um momento de evolução muito grande. O painel não é composto só de um desenho decorativo, mas ele é uma solução". A afirmativa vem da gerente de marketing da Duratex, Renata Braga, que explica que as placas de acabamento tem um papel fundamental.

"Através delas, você ganha toques diferenciados, como madeira, pintura acetinada, pedra; e isso faz com que você vá, na verdade, desenvolvendo os sentidos não só dos especificadores, mas do próprio usuário", assegura.

Segundo ela, o consumidor começa a perceber que, pela naturalidade, ele é convidado a se aproximar, a tocar, a entender melhor o produto. "No passado, os produtos eram muito iguais, mas como os produtos estão cada vez mais diferentes, as pessoas são muito mais atraídas a tocarem no móvel e a se aproximarem dele", diz Renata.

 

"Temos um papel fundamental dentro do processo educativo, mostrando as soluções, as composições, e o que acaba ficando melhor com o estilo de vida das pessoas. Muitas vezes, as opções são feitas por uma falta de informação. Quando passamos a ajudar no processo e a colaborar com o conhecimento, você percebe que as soluções acabam sendo muito melhores e mais interessantes, e é dentro deste processo que temos que evoluir, é algo que é dinâmico e crescente no mercado brasileiro", diz Renata Braga

 

Tendências

Segundo a supervisora de marketing da Berneck, Maureen Astrid Reydams, a busca por padrões que sejam atemporais e atinjam a todas as classes é uma constante. "Como isso não é tão fácil assim, conceitos atemporais, como os de naturalidade, são vistos com frequência e são muito solicitados", afirma.

De acordo com ela, padrões BP que remetam à madeira natural, muitas vezes considerados 'pequenos defeitos', precisam trazer essas características, tanto nas texturas quanto na coloração do padrão, conseguindo a aproximação a madeira ou sua lâmina natural.

"Para classes mais altas, busca-se tons austeros, mais alinhados e poros mais sutis. Uma forte tendência são os padrões acinzentados e os metalizados, para deixar ambientes modernos e aconchegantes", complementa.

Madeirados são suavizados com unicolors para valorizar e evidenciar desenho e textura. Segundo Maureen, a textura do padrão é fundamental para garantir naturalidade de madeira. "Outra surpresa, com uma aceitação impressionante e que vai de encontro com o que está sendo visto lá fora, é o padrão Mettalic Suede, que consegue criar uma atmosfera contemporânea e moderna", aponta.

 

O objetivo da combinação de padrões madeirados é criar uma experiência única e engrandecedora. "Queremos que o usuário final sinta-se confortável com padrões e texturas. Porque o móvel é uma extensão e uma projeção do querer. Gostamos de trazer soluções de padrões que sejam harmônicos, com outras peças da decoração e mobiliário para que cada ambiente tenha identidade e personalidade de seu usuário e combine com o que o usuário já tenha em sua casa", finaliza Maureen.

 

Por mais cor
     e personalidade

Com mais poder de compra, a classe C tem destaque no cenário de consumo, mas a indústria e o varejo ainda precisam prestar mais atenção no que esse público tem a dizer.

omo principais desafios para atingir os consumidores da classe C, os especialistas em varejo

apontam a quantidade de brasileiros que fazem parte desse grupo, seus diferentes perfis e padrões estéticos, além da tecnologia a ser empregada para agregar valor e manter, ao mesmo tempo, o preço final justo e acessível.

Quem gosta do pretinho básico mais sóbrio e dos tons pastéis é a classe A. Essa afirmação é quase obrigatória quando se fala em tendências para a classe C com o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, para quem, em termos estéticos, os membros da chamada nova classe média brasileira estão muito mais próximos do colorido da cultura popular.

 
 

Entender essas diferenças e os anseios desse novo consumidor deve ser encarado como oportunidade, segundo a analista de novos negócios em design, do Serviço de Aprendizagem Industrial (Senai), em Arapongas (PR), Cláudia Lens.

"Em 2013, a classe C brasileira movimentou cerca de R$ 1,7 trilhão. São consumidores que dão muito mais valor à marca, ao preço e à qualidade do que antes. Pesquisas apontam que sete em cada 10 consumidores da classe C se preocupam com preço e qualidade e 57% dão mais atenção às marcas dos produtos", comenta.

Diversidade de perfis e padrões

De acordo com dados do Data Popular, 108 milhões de brasileiros formam a classe C. Por isso, é essencial ir além do preço na hora de oferecer um produto, lembra Cláudia. "É tempo de continuar quebrando paradigmas em busca do diferencial, de sair da 'zona de conforto'. Com grande acesso à informação, os usuários estão cada vez mais exigentes. O produto tem que ser capaz de suprir as necessidades e desejos para se tornar um sucesso", provoca.

São muitas necessidades diferentes dentro deste público, conforme destaca Meirelles. As desigualdades foram o ponto de partida para um estudo realizado pelo Instituto em parceria com a Serasa Experian. "Criamos uma segmentação para ajudar na comunicação e no desenvolvimento de produtos mais adequados. É uma realidade ser o jovem promissor e outra, o experiente aposentado. Isso impacta na decisão deles", diz.

Apesar destes conhecimentos, ele separa a indústria em dois movimentos – os que querem ousar demais e os conservadores. "Há os que insistem em colocar no mercado sempre aquela mesma coleção de móveis com brilho, mas temos exemplos de empresas que investem mais para conhecer o público e trazem boas soluções em coleções específicas", pondera.

Design acessível, versatilidade e cores

O mercado imobiliário tem sido considerado um fator de influência muito próximo do mobiliário, salienta Cláudia. "A construção civil vem apontando algumas necessidades, como a de criar móveis compactos para a classe C", assinala.

Os eletrodomésticos também entram nesse contexto, como é o caso da secadora de roupas da Wanke que serve também para aquecer ambientes. "Contamos com profissionais que pesquisam varejo, consumidor e representantes para antever possíveis comportamentos e colocar essa expectativa dos consumidores em produtos", diz o vice-presidente, Rogério Erhat.

Já a Cadence, resolveu apostar nas cores e lançou em 2013 a linha Colors, com produtos em azul, pistache, amarelo-canário, vermelho-cereja e roxo-berinjela. "Os novos consumidores buscam produtos que também agregam valor ao ambiente e traduzam suas preferências pessoais", avalia a gerente de marketing e design, Carla Góes de Borges.

Em sintonia, o varejo também busca oferecer o mix de produtos diferenciado para agradar ao consumidor da classe C. "O setor está preparado para atender todas as demandas do mercado, adequando-se ao perfil de cada loja, conforme o posicionamento geográfico e econômico", reconhece o diretor-geral da MM Mercadomóveis, Emílio Glinski.

 

Possibilidades em um
     mercado cuidadoso

Seu trabalho é ficar atento às pequenas nuances de tudo o que acontece e, assim, identificar aquilo que vem para ficar ou está só de passagem. Em entrevista ao Radar Móbile, o sociólogo e diretor do Observatório de Sinais, Dario Caldas, fala sobre economia, desaceleração do consumo e crescimento no mercado moveleiro.

Radar Móbile | Qual é o comportamento atual do mercado de consumo?
Dario Caldas | No momento, o cenário no Brasil não é dos mais favoráveis. Passamos os últimos anos tendo o consumo como a grande vedete da economia. O que temos agora é uma desaceleração comprovada pelos números e pelas expectativas do consumidor, que não vê o cenário de curto e médio prazo como favorável por conta de tudo que absorve como informação. As pessoas estão esperando para ver o que vai acontecer. É um ano de calmaria. O que se projeta para o ano que vem é um cenário mais complicado.

Em que sentido?
Caldas | No sentido dos ajustes que a economia brasileira vai ter de sofrer. O que se analisa é que o próximo presidente terá de fazer mudanças e que o remédio é amargo. Em função de gastos do governo, inflação, câmbio, juros, enfim, é um ajuste fiscal forte que deve contrair a economia. E parece que todo mundo já está esperando.

Como isso irá afetar a economia?
Caldas | Em economia trabalha-se muito com expectativas. Essa expectativa já causa um movimento. Se existe a ideia de que o quadro possa se complicar em termos de consumo, já há atitudes de retração, menos investimentos, mais cuidado. Para o consumidor é a mesma coisa, ele já para de gastar por antecipação. Todos os fundamentos econômicos demonstram que a direção é essa no curto e médio prazo. Assim, o País acaba se sintonizando com uma corrente internacional de desaceleração.

 

E qual a resposta do mercado a essa mudança de comportamento?
Caldas | É a resposta possível. Quando a demanda cai, a oferta tem de se redobrar em esforços para não perder mercado e conquistar novos consumidores. A concorrência se acirra. O termo para definir concorrência hoje é hiperconcorrência e o Brasil entrou nesse patamar. No momento em que a demanda se contrai, há mais disputa, e eu acho que, em um momento assim as empresas acabam perdendo oportunidades porque contraem os investimentos e são menos agressivas em um cenário em que há espaço para ser mais incisivo em relação a novos produtos, tendências, posicionamento de oferta, utilizando mais recursos para conquistar o consumidor.

É possível imaginar um cenário em que canais de relacionamento online deixem as lojas físicas para trás?
Dario Caldas | Eu não acredito. O que se tem como tendência principal é uma integração crescente entre físico e digital. Já temos, desde o começo da internet, uma pequena história do digital para servir como parâmetro. Essa discussão é constante. Será que o consumidor vai passar 100% para o digital ou ficar nas lojas físicas? Nem uma coisa nem outra. Na verdade, é uma adição. As questões centrais são como fazer integração e quais são as ferramentas mais adequadas para cada tipo de produto e de consumidor.

Formobile

Segundo Caldas, planejamento é uma palavra que ainda faz pouco sentido no Brasil, pois ele acredita que o brasileiro ainda não tem essa cultura.

Confira alguns erros que podem ser cometidos:

• Não pensar em médio e longo prazos: Muitas empresas vivem em função do presente e do que está acontecendo agora, tendo um comportamento apenas reativo.

• Deixar de ousar: Durante períodos difíceis, as empresas costumam voltar para o básico, enquanto o momento pede por ousadia e diferenciação da concorrência.

É possível imaginar um cenário em que canais de relacionamento online deixem as lojas físicas para trás?
Há um interesse cada vez maior do consumidor em relação ao lugar onde vive porque tudo isso se relaciona a bem-estar e qualidade de vida. É a definição mais precisa do que se chama de consumo emocional. No Brasil, vai haver muito espaço para crescimento e para melhorar em termos de ofertas mais bem calibradas para um consumidor urbano, solteiro, para famílias menores, espaços pequenos, novas classes médias. Tem muita coisa para explorar. O cenário geral é promissor, mas com nuvens no horizonte. Em termos de investimento, em um momento assim é importante não interromper a conversa com o consumidor. A partir de uma loja, de um site, de um produto, é possível estabelecer essa

conversa e esse nível de comunicação em que se fala para o consumidor, sobre o consumidor.

Como ações de marketing e comunicação podem influenciar mudanças no comportamento de consumo? Caldas |É uma influência comprovada pela história da sociedade de consumo. O momento prolonga a importância do marketing, da comunicação e do branding, que é um conceito mais novo no Brasil. No setor moveleiro ainda há muito a ser feito no âmbito do marketing digital, conversar com o consumidor. As empresas ainda pensam de maneira tradicional, mas o consumidor está absolutamente digitalizado, à vontade com as ferramentas. As empresas ainda têm de correr atrás para oferecer serviços que deem conta dessa esfera.

 

Para onde caminham
          as tendências?

Para entender para onde estão indo as tendências de moda e de design, não basta mais olhar os desfiles ou consultar as revistas especializadas.

m estudo feito pelas chinesas Knight Frank e Woods Bagot mostra uma diminuição no sucesso dos pontos de venda (PDVs) monomarca das principais marcas de luxo. Sendo assim, é preciso olhar para as lojas multimarcas mais famosas do mundo.

A realidade dos PDVs ultrapassa a virtualidade do e-commerce, tanto é que, contrariando os rescaldos da crise na Europa, Brian & Barry Building Sanbabila inaugurou recentemente uma megastore em Milão, instalada em um edifício de 12 andares, com 6 mil m².

 

Cases pelo mundo

10 Corso Como

O espaço seguramente mais famoso é o 10 Corso Como: interior típico das casas de 'ringhiera milanese' em uma das vias de mais glamour da cidade. A loja propõe uma galeria, uma livraria de moda e fotografia, mas também de arquitetura e design, além de um delicioso café-restaurante com um esplêndido jardim ao aberto e uma boutique de moda.

Cargo Hightech

Voltada ao design, a rede Cargo Hightech tem produtos originais de uma longa curadoria e pesquisa. Peças para a cozinha passam por uma seleção atenta e podem ser encontrados por valores que vão de cinco a 1,2 mil euros. O espaço é interessante porque promove a interação com temas de design de interiores.

Larte

Já o 'Made in Italy' pode ser encontrado no Larte, que parece ser apenas mais um 'ristorante italiano', mas, na verdade, trata-se da mais nova invenção em loja-conceito na Europa. Vestido como restaurante, é na verdade um ponto de encontro entre enogastronomia, arte, design e moda.

The Brian&Barry Building Sanbabila

O último caso que traduz o termo de loja-conceito é o The Brian & Barry Building Sanbabila, chamado de nova factory of shopping experience (fábrica de experiência de compra, em tradução livre). Inaugurada no fim de março, é uma megastore dedicada à moda, decoração, joalheria, tecnologia, cosmética, comida e bebida.

 

Os tons que são tendências para 2015

Considerada uma autoridade mundial de cores, Pantone anuncia o catálogo Pantone View Home + Interiors 2015, com indicações de paletas para decoração e design de interiores.

Por RENATA BOSSLE

uais cores estarão presentes nas casas de 2015? Talvez seja cedo para fazer uma pergunta

assim ao consumidor final, mas as indústrias têxtil e moveleira já iniciaram o desenvolvimento de produtos para o próximo ano.

"As preferências dos consumidores, seus comportamentos e estilos estão evoluindo constantemente, o que aumenta a necessidade de renovação das paletas de cores para casa e para o design de interiores", comenta a diretora-executiva do Pantone Color Institute, Leatrice Eiseman.

Assim, a empresa lançou o catálogo Pantone View Home + Interiors 2015. O material inclui nove indicações de harmonização, inspirações visuais, dicas de cores a serem destacadas, amostras de 72 tonalidades e outros textos de apoio para os profissionais que colocarão as tendências em prática.

De acordo com Leatrice, embora regras rígidas de cores tenham sido substituídos por esquemas mais criativos, a harmonização de cores para casa permanece consistente. “As previsões do Pantone View Home + Interiores 2015 devem validar algumas escolhas preconcebidas de cores, ao mesmo tempo em que aponta novas inspirações e direções”, completa a diretora.

Abstrações

A paleta Abstractions é inspirada em pinturas onde as cores parecem ser escolhidas ao acaso, mas se unem em formas geométricas. Segundo a Pantone, os tons selecionados são muito diferentes entre si, mas apresentam um bom resultado quando combinados.

Botânico

As cores da paleta Botanicum foram escolhidas com base na observação de flores e folhagens, unindo tons de verde, uva e café com leite a tonalidades mais escuras de azul. O resultado, de acordo com a Pantone, é sofisticado e natural.

 

Vestígios do passado

Segundo a Pantone, a paleta Past Traces faz uma homenagem à história da casa, com tons que remetem ao lar seguro. Sua variação cromática inclui tons pastéis, um verde envelhecido e azuis-claros, proporcionando um aspecto vintage.

Surpresa agradável

O significado literal de Serendipity é 'surpresa agradável'. Para a Pantone, essa combinação tem um estilo único, que une um laranja em tom vivo a um azul frio, ao mesmo tempo em que a presença de amarelo e rosa reforça a paleta.

Espontaneidade

O objetivo dessa paleta, de acordo com a Pantone, é ser divertida. Ela foi chamada de Spontaneity por ter um aspecto impulsivo em sua mistura de cores. Os destaques ficam por conta da exuberância do verde, o tom de coral e as cores de elementos florais.

Determinando estilos

Inspirada pela moda, a Style-Setting quer levar as tendências da alta-costura para os móveis com equilíbrio, elegância e polimento. Tons de roxo são intercalados dramaticamente com marrons clássicos, cinza e branco, restando ao bege dar um brilho extra.

Tons pastéis

Tinted Medley é uma composição harmônica, com tonalidades muito próximas. De acordo com a Pantone, foram selecionados tons quentes e ricos de rosa, mas com um leve ar etéreo, apoiados por sobretons compatíveis de amarelo.

Selva urbana

Segundo a Pantone, as cores da Urban Jungle transformam o 'caos rústico' em algo 'civilizado', adequado tanto para grandes cidades quanto para uma casa de campo. A combinação suave inclui cores vibrantes e tons modernos de verde e azul.

 

Zensações

A paleta Zensations quer envolver, acalmar e, ao mesmo tempo, iluminar. O objetivo da Pantone, de acordo com a própria empresa, foi dar qualidades relaxantes a tons de azul e verde, que foram combinados com vermelho, prata e ouro.

 

Em busca da
mistura perfeita

Combinar texturas, cores e padronagens de tecidos são desafios diários para o designer de móveis. São muitas as opções para fazer com que a peça fique bonita e confortável.

Por FRANCES BARAS (colaboração: RAFAELA GUIMARÃES)

ão existe fórmula pronta para a aplicação de cores e padronagens no design de móveis, conforme explica a designer Michelle Françoise Haswany, da Estofama. "Os produtos são

criados a partir de conceitos e estilos estabelecidos, através de pesquisas e que irão definir a personalidade de cada peça, os revestimentos são escolhidos para valorizar esta composição", explica.

Ela ainda comenta que, com a tecnologia, chegam ao mercado, constantemente, novas possibilidades, padrões e materiais diferenciados e inovadores, o que aumenta os elementos de combinação no processo de criação para o designer. Ao mesmo tempo, isso dá liberdade para o consumidor montar seu ambiente a partir de suas necessidades e estilo de vida.

Equilíbrio na combinação também é a aposta do gestor de desenvolvimento de produtos da Herval Móveis e Colchões, Rafael Reis. "Atualmente podemos destacar o colorido tanto na pintura dos móveis como nas estampas dos tecidos. Portanto, é crucial usar cores que tenham alguma similaridade, para evitar que a composição fique visualmente muito carregada", afirma.

 

Já a designer Marta Manente sugere a escolha de um elemento de destaque, evitando, assim, que haja a poluição, tanto da peça, quanto do ambiente onde ela será utilizada. "Dessa forma, conseguimos valorizar o móvel e as escolhas dos materiais", enfatiza.

Pesquisa e aplicação

Para chegar ao produto ideal, as pesquisas para conhecer e identificar o comportamento do consumidor são fundamentais. "São realizadas análises para que o processo criativo seja direcionado às tendências e necessidades percebidas", explica Michelle.

O mercado e as tendências internacionais também servem como base, segundo a designer da Estofama: "Utilizamos a mídia, realizando pesquisas em periódicos, sites e blogs específicos de mobiliário e decoração".

Apesar da renovação das tendências, existem padrões e cores que se mantêm coleção após coleção. "As cores neutras como bege ou palha são padrões que permanecem muito fortes no mercado, pois são cores que incorporam-se facilmente aos ambientes, principalmente os mais coloridos", explica Reis.

 

Na criação para as empresas, Marta relata que ainda leva em consideração as necessidades do mix de produto dos clientes. "Como é um mercado muito dinâmico, as coleções devem sempre ser reinventadas. São peças-chaves nas residências e por isso, a cada lançamento, podemos sempre trazer novidades as empresas", argumenta.

As peças

Os profissionais entrevistados selecionaram peças para exemplificar suas impressões e explicações sobre esse processo de combinação de design, cores, texturas e tendências. Veja o que eles têm a dizer sobre cada uma delas:

Linha Cadilac, Studio Marta Manente
A linha Cadilac recebeu braço com aplique em alumínio e pés torneados na cor Tifany. Para o revestimento, a sugestão é a tendência de hand made de crochê em um tecido tecnológico.

Estofado MH 4098, da Herval Móveis e Colchões
O sofá apresenta combinação de estilos, com o capitonê característico do neoclássico presente nos braços. O produto é revestido em veludo e vem em tons de azul, que estão em alta no mercado, segundo informações do fabricante, podendo aparecer em peças menores da decoração como almofadas ou adornos – ou como destaque de um ambiente.

Poltrona Duda, da Estofama
Peça com inspiração retrô, composição de cores vibrantes e dois padrões de estampa – listras e florais. A poltrona tem assentos fixos com mola zig-zag, manta em espuma soft e manda de fibra siliconada. Os encostos também são fixos, e os pés são de alumínio de 15 cm, com suede como tecido de revestimento.

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O Projeto Conteúdo é uma iniciativa da Alternativa Editorial/Revista Móbile, especializada em comunicação para o setor moveleiro. Os temas abordados são relevantes e focados em tendências para o mobiliário, design de móveis e comportamento de consumo.

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